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12/04/2010 - 18h26

EUA pedem segurança e transparência a países com armas nucleares

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, é o anfitrião nesta segunda e terça-feira de uma histórica cúpula de segurança nuclear que pretende impedir que os materiais radioativos caiam nas mãos de terroristas. Em segundo plano, o encontro debaterá sanções contra o Irã.

Os líderes de cerca de 50 países e organizações internacionais reúnem-se no centro de Washington, uma cidade submetida a fortes medidas de segurança para a cúpula, considerada excepcional por conta de sua amplitude.

"A maior ameaça à segurança dos Estados Unidos, no curto, médio e longo prazo, será a possibilidade de uma organização terrorista obter uma arma nuclear", afirmou Obama no domingo na antessala da cúpula.

"Organizações como Al-Qaeda estão em processo de obter uma arma nuclear, uma arma de destruição em massa que não terão receio de utilizar", completou o presidente.

Para lutar contra isso, Obama convocou esta cúpula na qual o líder americano busca compromissos "firmes" por parte dos participantes.

A Ucrânia deu o primeiro passo ao anunciar pouco antes do início oficial da cúpula, às 17h30 locais (18h30 de Brasília), que pretende "livrar-se de todas as reservas de urânio altamente enriquecido antes da próxima cúpula sobre segurança nuclear, em 2012", disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.

Gibbs fez o anúncio depois de um encontro bilateral entre Obama e o presidente ucraniano, Viktor Ianukovitch.

O objetivo de Obama é que todos os países com capacidade ou equipamento nuclear se comprometam a detectar e colocar sob controle suas reservas de material, com a colaboração da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em um prazo de quatro anos.

Obama também propõe que seja criado um banco internacional de combustível nuclear para a reciclagem dos materiais mais perigosos, como o urânio enriquecido.

As Nações Unidas, por sua vez, querem que seja proibida a produção de material físsil destinado a armamentos nucleares, declarou à imprensa seu secretário-geral, Ban Ki-moon.

Mas um tema paralelo que também suscita bastante interesse é o Irã, país suspeito - apesar de suas reiteradas negativas - de querer possuir armas nucleares disfarçadas de programa civil.

A comunidade internacional deve enviar uma "mensagem clara" ao regime de Teerã, afirmou a Casa Branca depois de outra reunião bilateral de Obama, desta vez com o primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak.

A reunião de Washington ocorre depois da assinatura na semana passada do novo acordo Start de redução de armas estratégicas entre Estados Unidos e Rússia, e da apresentação de uma nova doutrina nuclear de Washington que restringe o uso de armas nucleares.

Apesar do êxito diplomático do acordo Start, Obama deverá convencer agora os líderes que participam da cúpula em Washington a exercerem liderança em um tema muito menos prioritário para a maioria deles.

A ausência do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pode complicar a cúpula.

Obama, no entanto, parece estar em boa sintonia com o russo Dimitri Medvedev, depois de um período inicial de frieza.

"O que distingue (Obama) dos outros - e não citarei ninguém - é que ele reflete, reflete antes de falar", declarou o presidente russo em Washington. Mas Medvedev mostrou-se de novo contrário a endurecer as sanções contra o Irã.

Do lado latino-americano, além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, são três os líderes que participam da cúpula: a argentina Cristina Kirchner, o chileno Sebastián Piñera e o mexicano Felipe Calderón.

"A América Latina é o único continente do mundo sem armas nucleares, é um excelente exemplo para o resto do mundo", disse Piñera nesta segunda-feira em um discurso feito no centro de análise de Washington.

O chefe do governo espanhol e atual presidente da União Europeia, José Luis Rodríguez Zapatero, também participa da reunião.

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