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12/04/2010 - 14h23

Força da Otan admite e lamenta a morte mais 4 civis no Afeganistão

Quatro civis, dentre eles uma mulher e uma criança, foram mortos nesta segunda-feira, dia 12, por soldados da força da Otan, que abriram fogo contra um ônibus que se aproximou do comboio no sul do Afeganistão, suscitando mais uma forte condenação por parte do chefe do Estado afegão.

Dezoito passageiros ficaram feridos, segundo as autoridades locais.

Um pouco mais tarde, um ataque suicida visando aos serviços de inteligência fracassou em Kandahar, quando um camicase se explodiu antes de atingir seu objetivo e outros dois foram mortos.

Esses dois incidentes ilustram a insegurança que reina na província de Kandahar, berço histórico dos talibãs e onde as forças internacionais preparam uma vasta ofensiva terrestre para junho.

A força internacional da Otan (Isaf) reconheceu que os soldados mataram os quatro civis, abrindo fogo contra o ônibus próximo de Kandahar, e disse "lamentar profundamente a perda trágica de vidas humanas".

Segundo a Isaf, o drama conteceu durante a madrugada e o motorista do ônibus, que avançava a grande velocidade, não freou, apesar das ordens dos soldados americanos.

"Percebendo uma ameaça, a patrulha tentou frear o veículo com sinais luminosos antes de abrir fogo", afirma o comunicado.

Segundo o governador de Kandahar, Tooryalai Wesa, os soldados envolvidos eram americanos.

"Abrir fogo contra um ônibus vai contra os ideais da Otan de proteger os civis e não se justifica de forma alguma", comentou o presidente Hamid Karzai.

"Eles abriram fogo contra nós e eu caí inconsciente", contou por telefone Esmate, o motorista do ônibus, explicando que veículo estava a cerca de 100 metros de distância do comboio militar.

Os veículos blindados das forças internacionais geralmente exibem um aviso para que os veículos para não se aproximem.

Após o incidente, mais de 200 pessoas se manifestaram violentamente no centro de Kandahar para denunciar essa nova falha militar, gritando "Morte à América, morte a Karzai".

Mais de dois terços das forças internacionais são compostas de soldados americanos.

Durante a manifestação, um ataque suicida visando ao escritório do Conselho Nacional pela Segurança (CNS), centro de inteligência, fracassou em Kandahar, informou o líder do governo da província, Ahmad Wali Karzai, irmão do presidente.

"Eles foram detidos por guardas de segurança do CNS; um detonou a bomba que carregava presa ao corpo e os outros dois foram mortos pelas forças de segurança durante uma troca de tiros", precisou Karza¯.

A tentativa de ataque foi reivindicada pelos talibãs.

A morte de civis durante as operações das forças internacionais é um assunto extremamente sensível e incidentes desse tipo são regularmente denunciados pela população e Karzai.

No dia 5 de abril, a Isaf reconheceu que uma das suas investidas aéreas no sul havia matado duas mulheres, uma criança e um idoso, durante uma busca por uma casa.

Ainda na mesma data, uma nova polêmica nascia depois que a Isaf reconhecera que seus soldados - das forças especiais americanas, segundo as mídias anglo-saxões - mataram cinco civis dentre eles quatro mulheres durante um ataque a uma vila ao leste em fevereiro, depois de ter negado por muito tempo.

Em janeiro, a ONU havia anunciado que o balanço dos civis mortos em 2009 foi o mais grave em oito anos de guerra no Afeganistão, com mais de 2.400 mortos, um salto de 14% em relação a 2008.

Os insurgentes islamita mataram três vezes mais civis do que as forças internacionais e afegãs, mas a ONU admitiu, no entanto, que suas operações foram responsáveis por um quarto das perdas civis, somando 596 mortos.

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