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12/04/2010 - 10h38

Presidente deposto reúne milhares de partidários e desafia governo interino

O presidente deposto do Quirguistão, Kurmanbek Bakiyev, que se nega a renunciar, reuniu nesta segunda-feira milhares de partidários na cidade natal de Teiit, sul do país, em um desafio aberto ao governo interino formado após os violentos distúrbios da semana passada, em um país ameaçado por um novo banho de sangue e pela falência financeira.

Bakiyev, que fugiu na quarta-feira de Bishkek, a capital, após os confrontos entre policiais e manifestantes que deixaram 81 mortos, foi aclamado perto da casa da família por uma multidão, para a qual discursou das escadas da sede da prefeitura local.

No discurso, afirmou que continua sendo o presidente da antiga república soviética da Ásia central e acusou os membros do governo interino de serem "verdadeiros gângsteres".

"Tinha razões para me esconder. Como sabem, o poder me foi tirado pela força", declarou.

"Sou o presidente e ninguém tem o direito de obrigar-me a deixar o cargo. Não é uma revolução, é uma usurpação do poder", disse Bakiyev, que pediu novamente à ONU o envio de capacetes azuis.

Esta foi a primeira vez que Bakiyev apareceu em público depois de ter deixado capital. O governo interino, dirigido pela ex-chanceler Rosa Otunbayeva, exigiu a renúncia e acusou o presidente deposto de estimular uma guerra civil.

Os adversários de Bakiyev o acusam de nepotismo, autoritarismo e de ser responsável pelo aumento do custo de vida no país, que vive em permanente crise econômica.

O governo interino reagiu imediatamente às declarações de Bakiyev e anunciou que espera prendê-lo, mas que a operação foi suspensa para evitar mais derramamento de sangue, já que o presidente destituído estava ao lado de muitos partidários.

"O governo interino prepara uma operação para deter o presidente Kurmanbek Bakiyev. Não a iniciamos porque não queremos afetar a população civil", afirmou o número dois das autoridades interinas, Almazbek Atambayev.

"Bakiyev utiliza os habitantes de sua cidade natal como escudos humanos", denunciou.

As relações entre o norte do Quirguistão - berço da revolta da semana passada - e o sul do país, reduto de Bakiyev, são tensas e podem resultar em mais violência, ou até mesmo em guerra civil, segundo analistas.

A estabilidade do Quirguistão é vital para a Ásia central, já que os Estados Unidos têm no país uma base militar, essencial para o envio de tropas ao Afeganistão. Esta base é mal vista pelos russos, que têm uma base a poucos quilômetros da americana, e consideram que esta região do mundo faz parte de sua zona histórica de influência.

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