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14/04/2010 - 14h57

Israel instala 'apartheid' em territórios ocupados, diz Erakat

Israel está "sabotando" a reativação das negociações de paz, bloqueadas há meses, instalando um "sistema de apartheid" nos territórios ocupados, denunciou Saeb Erakat, principal negociador palestino, em declarações à AFP.

"Quarenta e três anos após seu início, a ocupação israelense tornou-se um sistema de apartheid, pior que o da África do Sul porque lá, inclusive nos momentos mais sombrios, os negros jamais foram impedidos de usar as mesmas estradas que os brancos", afirmou Erakat, em referência a algumas vias se circulação reservadas unicamente aos colonos judeus na Cisjordânia ocupada.

Durante entrevista na sede da Autoridade Palestina em Ramallah, Erakat fez duras críticas a duas novas ordens do exército israelense, cada vez mais controversas, que, segundo ele, "transformarão os palestinos em criminosos em seus próprios lares".

Segundo a Autoridade Palestina e as associações de defesa dos direitos humanos, estes decretos, com objetivo de impedir as "infiltrações" em Israel, poderiam "esvaziar" a Cisjordânia de seus habitantes, ao autorizar a expulsão ou prisão de milhares de palestinos que vivem na região, mas que possuem documentos de outros locais.

O governo israelense do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu desmente estas informações.

De formação universitária, Erakat, responsável pelas negociações de paz com Israel há mais de 15 anos, explica que Netanyahu está, com decisões desse tipo, "destruindo a solução de dois Estados para dois povos".

"A corrupção da ocupação conduz à cegueira política", disse, acrescentando: "somos testemunhas da cegueira política de Netanyahu".

O primeiro-ministro israelense e sua coalizão de direita tinham a opção: "As colônias ou a paz. Escolheram novos assentamentos e os colonos", lamentou Erakat.

O assunto da colonização, em particular em Jerusalém Oriental, anexada desde 1967, é o principal obstáculo para reiniciar as negociações de paz entre israelenses e palestinos, suspensas desde a última guerra de Gaza de dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

Há alguns meses os Estados Unidos se esforçam para que seja retomado o processo de paz - num primeiro momento com conversas indiretas, chamadas de "aproximação" - até agora em vão, o que provocou uma crise política entre a administração americana de Barack Obama e o governo de Netanyahu.

"Os americanos empregando todos os esforços possíveis para preservar a solução de dois Estados e dar início às discussões de aproximação", destaca Erakat.

"Apoiamos essas iniciativas esperamos que tenham sucesso.

Apesar de tudo, Erakat, cientista político, que fará 55 anos na próxima semana, não se declara vencido.

"Os palestinos jamais estiveram em posição melhor do que a de agora. Nunca vi a comunidade internacional tão exasperada com a atitude e as práticas dos israelenses", afirma.

O governo palestino tem como prioridade a criação de um Estado "independente e viável" no final de 2011, seja qual for a situação das discussões com Israel.

"Queremos criar nossas instituições (de Estado) com a ajuda da França, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Japão e outros países. Não pretendemos fazer uma declaração de independência unilateral. Queremos que o reconhecimento (de nossa independência) venha de vocês", afirmou, em alusão à comunidade internacional.

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