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14/04/2010 - 12h36

Terremoto próximo ao Tibete deixa pelo menos 400 mortos e 10.000 feridos

Um forte terremoto deixou pelo menos 400 mortos e 10.000 feridos nesta quarta-feira na província isolada de Qinghai (noroeste da China), próxima à região autônoma do Tibete, anunciaram as autoridades da província.

A área mais afetada, epicentro do sismo, é a Prefeitura de Yushu com sua sede Gyegu --Jiegu em mandarim--, região pobre próxima ao Tibete, com uma população de 280.000 pessoas.

Segundo a agência Nova China, Gyegu possui 100.000 habitantes.

Ela está situada a 12 horas de carro da capital da província, Xining.

A televisão estatal CCTV exibiu imagens de bairros reduzidos a pilhas de escombros com a montanha ao fundo.

Mais de 900 pessoas foram resgatadas com vida dos escombros, anunciou a televisão estatal.

O anúncio foi feito depois que o governo chinês liberou uma ajuda de emergência de 200 milhões de yuanes (29,3 milhões de dólares) para a província de Qinghai.

Os fundos permitirão financiar, entre outras coisas, a evacuação dos habitantes e seu alojamento, os cuidados médicos e a prevenção de enfermidades, acrescentou a televisão.

O tremor de terra --de 6,9 de magnitude segundo o Instituto de Geofísica americano (USGS), de 7,1, segundo às autoridades sísmicas chinesas-- foi registrado na manhã de quarta-feira.

De acordo com a Nova China, 18 réplicas ocorreram, algumas chegando a 5,8.

O USGS utiliza a "magnitude de momento" (Mw). Para se ter uma ideia da força do terremoto, nesta escala aberta, um sismo que atinge uma magnitude de pelo menos 6 é considerado forte.

Na cidade de Gyegu, mais de 85% das construções desabaram, as estradas foram obstruídas por deslizamentos de terra e as comunicações foram dificultadas nesta região montanhosa da cadeia himalaia.

O registro de mortos e feridos aumentará certamente, já que várias pessoas ainda estavam sob os escombros, principalmente cerca de vinte estudantes.

"Estamos tentando socorrer os alunos da escola primária de Yushu. Há cerca de vinte alunos soterrados. Nos esforçamos para ajudá-los", declarou à CCTV uma autoridade dos bombeiros, Kang Zifu.

"Trabalhamos também no prédio do Bureau de Comércio e de Indústria de Jiegu, e há entre 40 e 50 pessoas soterradas. Elas estão vivas, estamos em contato com elas", acrescentou, ressaltando que 32 pessoas haviam sido salvas no local.

O presidente Hu Jintao e o primeiro-ministro Wen Jiabao ordenaram que as autoridades locais façam tudo para ajudar a população.

Cerca de 700 soldados estão no local e mais de 5.000 membros das equipes de resgate, entre eles soldados e médicos, foram enviados pelo governo provincial de Qinghai.

As equipes de resgate locais, que utilizam frequentemente apenas as suas mãos para retirar os sobreviventes, receberam o reforço durante o dia de equipes enviadas pelas autoridades centrais e pelas regiões vizinhas.

Segundo Kang, os prédios modernos resistiram, ao contrário das construções tradicionais feitas de terra e madeira.

A CCTV exibiu imagens de soldados da Polícia Armada trabalhando na remoção dos escombros no local de uma casa em ruínas à procura de sobreviventes, assim como monges tibetanos, que, com suas vestimentas tradicionais, participam das operações.

Faltam equipamentos na área.

"Devemos usar principalmente nossas mãos para remover os escombros porque não temos máquinas escavadoras", declarou Shi Huajie, chefe da Polícia Armada encarregado das operações de socorro.

"Não temos mais equipamentos médicos", acrescentou.

As autoridades centrais e provinciais enviaram milhares de tendas e roupas.

O líder espiritual dos tibetanos no exílio, o Dalai Lama, considerado um dos grandes inimigos do regime, apresentou nesta quarta-feira suas condolências às vítimas do terremoto.

O Dalai Lama anunciou uma jornada de orações em Dharamshala, no norte da Índia, onde vive exilado. "Rezamos por aqueles que perderam a vida nesta tragédia, por aquelas famílias e por todos aqueles que foram afetados", declarou.

"Tenho a esperança que todas as formas de ajuda e de socorro possam chegar até eles e verei como posso contribuir para estes esforços", acrescentou.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, propôs uma ajuda europeia.

Já o papa Bento XVI pediu a "solidariedade de todos".

A área, sujeita a terremotos, é habitada por camponeses e nômades das etnias mongol e tibetana.

O maior tremor de terra registrado na China nos últimos anos alcançou a magnitude 8, em maio de 2008, que havia deixado pelo menos 87.000 mortos ou desaparecidos na província vizinha de Sichuan, não muito distante da área atingida na quarta-feira.

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