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15/04/2010 - 15h42

Teólogo pede a clero que se rebele contra pontificado de Bento XVI

O teólogo rebelde suíço Hans Kung, suspenso do ensino, em 1979, por suas posições progressistas, instou ao clero da Igreja Católica que se rebele contra o pontificado de Bento XVI, diante dos atuais escândalos de abusos de menores envolvendo sacerdotes pedófilos.

Em carta aberta dirigida a todos os bispos do mundo e reproduzida pela imprensa europeia, Kung, criticou o pontificado de Bento XVI, que na segunda-feira completará cinco anos, considerando-o um tempo de oportunidades perdidas.

Kung, que se tornou professor ao mesmo tempo que o atual Papa, a quem conheceu em uma sessão teológica em Innsbruck (Áustria), em 1957, e com quem trabalhou entre 1962 e 1965 como conselheiro no Concílio Vaticano II e de quem se distanciou em seguida por questões doutrinárias, estimou que o Papa alemão perdeu a chance de superar os grandes desafios da Igreja, os quais enumerou em sua longa carta.

"Minhas esperanças e as de tantos católicos e católicas comprometidos infelizmente não se cumpriram (...). No tocante aos grandes desafios do nosso tempo, seu pontificado de apresenta cada vez mais como o das oportunidades desperdiçadas, não como o das chances aproveitadas", escreveu.

O teólogo analisou os recentes escândalos de pedofilia dentro da Igreja e que, segundo ele, levaram a uma "crise de confiança e de liderança sem precedentes".

"Com razão, muitos pedem um 'mea culpa' pessoal do então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e atual Papa. Mas, infelizmente ele deixou passar a oportunidade na Sexta-feira Santa e, ao contrário, testemunhou sua inocência no domingo de Páscoa", escreveu Kung.

O professor suíço sustentou que "a política de restauração de Bento XVI fracassou. Todas as suas aparições públicas, viagens e documentos não são capazes de modificar, no sentido da doutrina romana, a postura da maioria dos católicos em questões controversas, especialmente no campo da moral sexual".

"Nem mesmo os encontros papais com a juventude, aos quais assistem, sobretudo, grupos conservadores carismáticos, podem frear os abandonos da Igreja, nem despertar mais vocações sacerdotais", comentou.

Kung instou os bispos a romperem o silêncio diante das diretrizes do Vaticano que considerem errôneas porque a obediência ilimitada se deve unicamente a Deus e não deve impedir que se diga a verdade.

"A obediência incondicional só se deve a Deus. Todos vocês, ao serem consagrados como bispos, juraram obedecer incondicionalmente ao Papa, mas não sabem que nenhuma autoridade humana merece esta obediência incondicional, só Deus. Por isso não devem sentir-se limitados por seu juramento", sustentou.

O teólogo rebelde pediu a celebração de um concílio ou pelo menos um sínodo representativo de bispos e cardeais.

"Inúmeras pessoas perderam a confiança na Igreja Católica. Para recuperá-la, só valerá abordar de forma franca e honrada os problemas e as reformas consequentes", afirmou.

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