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17/04/2010 - 14h40

No interior da nuvem vulcânica, uma paisagem de ficção científica

Fumaça formada por vulcão em erupção na geleira de Eyjafjallajökull, na Islândia

O carro avança calmamente pela penumbra, faróis e pára-brisas ligados, através da chuva de cinzas: quando se penetra no interior da nuvem de fumaça projetada pelo vulcão islandês em erupção, uma paisagem de ficção científica se abre.

Na escuridão quase completa, como se fosse noite em pleno dia, atravessa-se num silêncio absoluto os campos totalmente cobertos por uma camada de cinzas, com algumas vacas mostrando sinal de vida na região e os carros 4x4 da polícia atravessando em alta velocidade.

Um grupo de fazendeiros faz uma ronda para tentar colocar no abrigo os animais que não podem mais se alimentar. A poeira expelida há três dias pelo vulcão é tóxica para eles.

"É o inferno", suspirou Einar Vidarsson, de 29 anos, "nunca vimos nada parecido. Meu irmão tem mais de 130 cavalos. Ele os levou para o interior esta manhã, mas teve que andar ao longo da rodovia em total escuridão", contou.

O pequeno grupo visita também os moradores das proximidades de Nupur, um conjunto de algumas fazendas isoladas no sul da Islândia, a poucos quilômetros do vulcão Eyajafj¶ill, para assegurar se tudo vai bem.

Asta Sveinbjarnardottiri e seu marido Gudmundur, ambos com 86 anos, se protegem no interior de sua confortável casa, cujas paredes são cobertas de retratos em preto e branco das antigas gerações que moraram ali.

"Eu sonhei que isso iria acontecer. Eu sonhei com fogo, mas no meu sonho, o fogo se extinguia", descreveu a senhora, que se recusou a sair do local. Se ela tem medo? "Nei, nei, nei!" (não, não e não!), assegurou.

Do lado de fora, um forte odor de enxofre paira no ar e não se pode ver nada além de vinte metros de distância. Tudo está completamente cinza. Um ambiente que relembra cenas apocalípticas do filme "Mad Max".

Graças aos ventos que sopram as espessas colunas de fumaça de Eyjafj¶ll para o Oceano Atlântico e para a Europa, só uma pequena parte da Islândia, no sul, se encontra recoberta pelas cinzas que paralisam grande parte do tráfego aéreo europeu.

À exceção das fazendas e pequenas aldeias da costa sul da Islândia, o resto do país foi poupado. A polícia bloqueou os acessos à zona, mas os habitantes foram autorizados a retornar às suas casas.

Em outras vilas próximas ao vulcão, onde as enchentes provocadas pelo repentino derretimento das geleiras causaram pequenos estragos, os moradores respeitam as instruções deixando suas casas temporariamente, segundo a polícia.

Em uma ilha pouco povoada e localizada sobre uma falha sísmica e vulcânica, é preciso saber aceitar o destino.

Aqui, "todos verão, ao menos duas vezes em sua vida, erupções, alguns tremores de terra, tempestades de neve ou no mar", enfatizou Haraldur Gudmunsson, um jovem de 22 anos da aldeia de Hvolsvollur, a uns quinze quilômetros ao oeste da erupção.

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