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18/04/2010 - 17h29

Zimbábue comemora 30 anos de independência e Mugabe pede fim da violência

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, pediu neste domingo a seus compatriotas o cessar da violência durante discurso pouco comum e de tom conciliador por ocasião do 30o. aniversário da independência da ex-Rodésia do Sul britânica.

"Os dirigentes do govero de união pedem o cessar de qualquer ato de violência que causaria dor e quebraria nossa sociedade. Nós, zimbabuanos, devemos manter um clima de tolerância e tratar os demais com dignidade e respeito, seja qual for a idades, sexo, etnia, raça ou posição política e religiosa", indicou em um discurso transmitido pela rádio e televisão locais.

O tom do discurso - lido na presença do primeiro-ministro Morgan Tsvangirai, antigo inimigo e com quem o presidente mais velho da África agora compartilha o poder - contrasta com as apaixonadas acusações de suas aparições públicas.

As violências políticas causaram cerca de 200 mortos, principalmente no campo da oposição, desde a histórica derrota do regime Mugabe nas eleições gerais de março de 2008.

Às vésperas da independência do Zimbábue há 30 anos, o presidente da Tanzânia, Julius Nyerere, disse a Mugabe, o então futuro dirigente do país: "Você está herdando uma joia; trate de preservá-la!". Desde então, o que era esperança se transformou num caos.

Três décadas depois, o presidente Mugabe, de 86 anos, se mantém liderando o país, obrigado a compartilhar o poder com Tsvangirai, mas o Zimbábue, a jóia a que se referia Nyerere, perdeu seu brilho.

A maioria dos atuais habitantes não viveu os anos da independência, já que a expectativa de vida, que então era de 61 anos, hoje é de 45. Quarenta e um por cento da população tem menos de 15 anos e 80% vivem na pobreza.

Naquele 18 de abril de 1980, no entanto, reinava uma euforia na áfrica: Rodésia do Sul, a colônia britânica renegada dirigida com o regime racista de Ian Smith, desaparecia e cedia passagem ao Zimbábue, ao término de uma guerra de guerrilhas de sete anos, que deixou 27.000 mortos.

A estrela do reggae Bob Marley, convidado para as celebrações, tocou seu famoso "Zimbabwe" ante o príncipe Charles. O mundo inteiro celebrou o nascimento de um modelo para a África.

Não era para menos, Mugabe optou por uma política de reconciliação racial e pediu aos brancos que participassem no governo.

A economia decolou. O regime investiu em escolas e hospitais, o que tornou dos zimbabuanos uma das populações mais letradas da África.

"A década dos 1980 e o início dos 1990 estavam cheios de promessas ", afirmou Eldred Masunungure, da Universidade do Zimbábue. Em todos os campos, "os gráficos mostram as curvas para cima ", mas depois veio o estancamento e a terceira década foi a do pesadelo", enfatizou.

A mudança aconteceu, segundo o analistas, em 1997, quando Mugabe cedeu ante aos violentos protestos dos veteranos da guerra da independência, que reclamavam a questão das pensões.

Ao mesmo tempo, a oposição se organizava e surgia assim o Movimento para a Mudança Democrática (MDC). Em 2000, Mugabe perdeu um referendo popular.

Nesse contexto, Mugabe se volta para o populismo e deixa que os veteranos invadam as fazendas comerciais, em sua maioria dirigidas por brancos. Mais de 4.000 agricultores brancos tiveram que deixar suas terras de forma precipitada e em meio à violência.

A decadência da agricultura arrasou com a economia. A hiperinflação alcançou níveis recorde, a produção ficou inexistente. O país que exportava alimentos se tornou dependente da ajuda externa.

Os ocidentais passam a condenar aqueles que até então elogiavam. Em 2002, depois de eleições polemicas, são impostas sanções ao círculo governante, o que acaba mergulhando Mugabe na paranoia.

O regime se isola. Os jornalistas estrangeiros foram expulsos, os opositores presos, a antiga potência colonial se encerra na ditadura.

"Há algo de verdade no que Mugabe diz quando afirma que (as invasões agrícolas) são uma questão de primeira ordem porque são os brancos e não os negros que são tirados de suas terras", afirma o professor Teddy Brett, da London School of Economics (LSE).

Os pequenos agricultores negros que são despojados de suas terras em outros países africanos "não têm membros do parlamento (britânico) em sua família imediata ", assinala.

Em 2008, os zimbabuanos pareciam dispostos virar a página com novas eleições, que deram a vitória ao MDC, mas o sistema resiste.

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