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19/04/2010 - 20h12

Bolívia abre cúpula climática com agenda em defesa da Terra

Mais de 15 mil pessoas - entre indígenas, cientistas, personalidades do cinema e presidentes de cinco países - são aguardadas nesta terça-feira, na Bolívia, para uma cúpula mundial sobre o clima, com propostas para a criação de um tribunal de justiça ambiental e um referendo para exigir medidas a favor da ecologia.

O fórum se celebra tendo como pano de fundo as dificuldades nas negociações sobre o clima após o fiasco da Cúpula Climática da ONU (COP15), celebrada em dezembro passado, em Copenhague, e com a perspectiva da próxima edição do encontro climático das Nações Unidas (COP16), prevista para o fim deste ano, no México.

Para a Bolívia, que se apresenta como epicentro da mobilização a favor da 'Pachamama' (a Terra mãe), "a única forma de pôr nos trilhos as negociações sobre o clima é associar a sociedade civil ao processo", afirma o embaixador boliviano na ONU, Pablo Solón.

"Temos uma agenda distribuída em 17 mesas de trabalho, com vários temas, para buscar o respeito dos direitos da mãe Terra", disse esta segunda-feira à AFP Pablo Groux, coordenador da cúpula, que será celebrada entre terça e quinta-feira nos arredores de Cochabamba (centro).

O presidente Evo Morales, indígena de tendência esquerdista, é o principal promotor do encontro, ao qual estarão presentes 15.000 pessoas de 129 países e delegações governamentais de 40 nações, além de personalidades, cientistas e artistas.

Segundo o chefe de Estado, a conferência boliviana debaterá a criação de "uma organização paralela às Nações Unidas" para defender a Terra dos efeitos devastadores do aquecimento global.

No entanto, esclareceu que não pretende dividir a ONU, mas sim "fazer uma nova estrutura, uma nova organização com os movimentos sociais para defender os direitos da mãe Terra", acrescentou.

O governo boliviano mencionou que outros dois assuntos em pauta serão a organização de um referendo mundial e a constituição de um tribunal de justiça sobre o meio ambiente que julgaria os países quando causarem danos à natureza.

A consulta mundial que a Bolívia proporá - e que alguns observadores consideram pouco realista - buscaria exigir dos governos que a temperatura do mundo não subisse acima de 1º centígrado e que todos os orçamentos militares sejam transferidos à defesa do meio ambiente, entre outros pontos.

Morales teve a iniciativa de propor o encontro, após considerar insuficientes os acordos em Copenhague entre Estados Unidos, a União Europeia, China, Índia, Brasil e África do Sul.

A conferência climática boliviana visa a que os movimentos sociais e povos indígenas elaborem uma série de propostas que serão levadas à próxima cúpula climática da ONU.

O embaixador Solón explicou no fim de semana que existe a possibilidade de que todas as conclusões do encontro sejam enviadas à Cúpula do México e que sejam incorporadas às agendas das deliberações intergovernamentais.

Sobre os participantes, a chancelaria boliviana confirmou no domingo que acompanharão o presidente Morales seus colegas e aliados políticos Hugo Chávez (Venezuela), Fernando Lugo (Paraguai), Rafael Correa (Equador) e Daniel Ortega (Nicarágua).

Além de aborígenes e organizações civis, participarão do encontro - segundo a chancelaria boliviana - personalidades como Jim Hansen (cientista da Nasa), Vandana Shiva (ativista indiana), Naomi Klein (autora do livro 'No Logo'), Eduardo Galeano (escritor uruguaio), Adolfo Pérez Esquivel (argentino, Prêmio Nobel da Paz em 1980), o ativista francês José Bové e o brasileiro Frei Betto.

Também foram convidados o diretor de cinema americano James Cameron e o ator Danny Glover, cuja presença ainda não foi confirmada.

A conferência se encerrará na quinta-feira com a aprovação pública de todas as conclusões e uma festa folclórica no estádio de Cochabamba, com capacidade para 35.000 pessoas.

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