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19/04/2010 - 11h36

Pontificado de Bento XVI é marcado pelas controvérsias

O pontificado de Bento XVI, que completa cinco anos nesta segunda-feira, está marcado por uma série de controvérsias em sua maioria provocadas por declarações, decisões ou omissões do chefe da Igreja católica.

- O nazismo e a Alemanha (Auschwitz, maio de 2006): durante sua peregrinação ao campo de extermínio de Auschwitz, Bento XVI atribuiu a responsabilidade dos crimes do nazismo a "um grupo de criminosos que abusaram do povo alemão para se servir dele como instrumento de sua sede de destruição e de dominação". Esta frase, na boca do Papa, de origem alemã, pareceu isentar seu povo e criou polêmica.

- O Islã e a violência (discurso de Ratisbona, setembro de 2006): o tema da conferência do Papa em uma universidade bávara se centrou nos vínculos entre a fé e a razão. Mas a citação de um imperador bizantino do século XII sobre os laços entre o Islã e a violência provocou uma onda de indignação no mundo muçulmano. Esta crise levou Bento XVI a multiplicar seus apelos ao diálogo entre as religiões "respeitando suas diferenças".

- Povos autóctones e conversão (Brasil, maio de 2007): durante sua visita ao Brasil, o Papa afirmou que a evangelização dos povos autóctones da América "não levou em momento algum a uma alienação das culturas pré-colombianas e não impôs uma cultura estrangeira", guardando silêncio a respeito das matanças que acompanharam a evangelização na América. Dez dias depois, depois da polêmica provocada por suas declarações, Bento XVI evocou os "sofrimentos e injustiças" daqueles povos durante a conquista do continente.

- Aborto e política (Brasil, maio de 2007): a bordo de um avião que o levava ao Brasil, o Papa justificou as ameaças de excomunhão de certos bispos contra políticos que legalizam o aborto. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, hostil ao aborto "como cidadão", enfatizou que precisava responder como "chefe de Estado" a um problema "de saúde pública".

- Missa em latim e o Vaticano II (julho de 2007): Bento XVI liberalizou por decreto papal a missa em latim, ou a Missa Tridentina, de acordo com a liturgia romana anterior à reforma do Concílio Vaticano II, dando curso à reinvidicação dos católicos tradicionalistas, o que inquietou os progressistas dentro da Igreja. O Papa afirmou que o Concilio Vaticano II faz parte da continuidade da história da Igreja católica, enquanto que os progressistas o interpretam como uma ruptura.

- Integrismo e negacionismo (janeiro de 2009): um decreto papal levanta a excomunhão de quatro bispos integristas, inclusive do britânico Richard Williamson, que manteve publicamente uma postura negacionista. Esta decisão suscitou uma enorme controvérsia, assim como profundas tensões com o mundo judeu e mal-estar com parte dos católicos, o que obrigou o Vaticano a se retificar.

- O preservativo e a Aids (março de 2009): em um avião que o levava à África, o Papa declarou que não se podia "resolver o problema da Aids com a distribuição de preservativos" e que, "ao contrário, isso agrava o problema". A indignação por estas declarações foi geral, dos responsáveis políticos até representantes de associações civis.

- Pio XII (dezembro de 2009): Bento XVI proclama venerável o Papa Pio XII, questionado por seu silêncio durante o holocausto cometido pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, o que gerou fortes protestos das comunidades judias de Berlim e Roma, entre outras.

- Pedofilia (princípio de 2010): a revelação da magnitude dos casos de pedofilia no clero irlandês, conhecida durante 2009, à qual se somaram novas revelações em inúmeros países da Europa assim como nos Estados Unidos começaram a incomodar o Papa com artigos na imprensa alemã e americana onde é condenado por seu silêncio e falta de ação diante dos casos de pedofilia, principalmente quando era arcebispo de Munique e chefe da Congregação para a Doutrina da Fé.

bur-cj/cn

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