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19/04/2010 - 16h08

Vaticano e Igreja italiana se solidarizam com Bento XVI, no quinto ano de seu pontificado

O Vaticano e a Igreja italiana manifestaram nesta segunda-feira solidariedade a Bento XVI, por ocasião do seu uinto aniversário na liderança da Igreja Católica, em meio a críticas pela administração dos escândalos de pedofilia entre o clero.

O dia é feriado no Vaticano, para marcar a eleição do sucessor de João Paulo II.

Cinquenta cardeais de todas as nacionalidades almoçaram com Bento XVI no Vaticano demonstrando seu apoio, após a série de revelações nos últimos meses de abusos cometidos por padres e religiosos e após as críticas contra a "omertà" no seio da Igreja - omertà é uma palavra de etimologia italiana, que significa "conspiração".

O papa confiou aos prelados que "sente fortemente que não está sozinho, que tem a seu lado todo o colégio de cardeais, que partilha com ele vicissitudes e reconforto", afirmou l'Osservatore Romano.

Fazendo referência indiretamente aos escândalos de pedofilia, o jornal do Vaticano acrescentou: o papa "evocou os pecados da Igreja, lembrando que esta, ferida e pecadora, experimenta ainda mais a consolação de Deus".

O mais velho dos cardeais, Monsenhor Angelo Sodano, afirmou por sua vez que o colégio dos cardeais, que conta 181 membros (entre eles 108 eleitores em caso de conclave, instância que elege o papa), "é uma grande família, sempre unida ao sucessor de Pedro e preocupada em viver num espírito de comunhão fraternal". Agradeceu a Bento XVI a "grande generosidade" demonstrada no exercício de sua função, desejando que continue assum durante "longos anos", registrou a Rádio Vaticano.

Nesta segunda-feira, em toda a Itália, os católicos foram convidados pela conferência episcopal nacional a manifestar pela prece sua "proximidade" com o chefe da Igreja que completou na sexta-feira 83 anos.

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, também tomou a defesa deste pontificado controverso. Afirmou à Rádio Vaticano que as "prioridades reais" definidas por Bento XVI após sua eleição - principalmente a preocupação em responder "ao pedido de ajuda da sociedade atual" e o "diálogo aberto e sincero" com outras religiões - vêm sendo "realizadas com coerência e coragem num contexto não livre de tensões e obstáculos".

O quinto aniversário do pontificado de Bento XVI se desenvolve em plena tormenta na Igreja, com a multiplicação de revelações sobre abusos cometidos pelo clero na Europa e nos Estados Unidos, que respingaram no papa, em pessoa, acusado na Alemanha e nos Estados Unidos de ter acobertado estes crimes.

Se seus cinco anos foram periodicamente pontuados de crises, com os muçulmanos, os judeus, o mundo político e mesmo setores progressistas da Igreja católica, esta questão da pedofilia é, de longe, a mais grave porque "não se trata de pecados isolados, mas do pecado institucional do silêncio", afirma o vaticanista Marco Politi, comentarista do jornal Il Fatto (esquerda).

O aniversário acontece no dia seguinte da primeira viagem do ano de Bento XVI fora da Itália, que também foi pontuada por escândalos de pedofilia.

O papa voltou na noite de domingo de uma visita de 26 horas a Malta, onde foram recentemente denunciados casos de abuso sexual por homens da Igreja. Bento XVI encontrou-se, a seu pedido, com oito vítimas maltesas, chorando e rezando com elas.

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