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20/04/2010 - 12h17

Último ditador argentino aguarda sua sentença

O último ditador argentino, Reynaldo Bignone (1982-83), aguardava nesta terça-feira junto com outros seis ex-altos funcionários acusados a leitura da sentença de um tribunal que o julga por crimes de lesa-humanidade durante o regime de fato (1976-83).

Bignone, de 82 anos, que cumpre prisão preventiva domiciliar e que até agora havia escapado da justiça, é acusado de detenções ilegais e de ter torturado 56 vítimas.

Os crimes ocorreram entre 1976 e 1978, quando era diretor da guarnição do Exército de Campo de Mayo (periferia noroeste), o maior quartel militar do país, onde funcionou um centro clandestino de extermínio.

As masmorras de Campo de Mayo chegaram a manter 4.000 opositores do regime, a maioria deles atualmente desaparecidos, além de ter abrigado uma maternidade clandestina que permitiu o roubo de bebês e a mudança de suas identidades para que as crianças fossem entregues a outras famílias.

Após as acusações, a Promotoria pediu condenações de 25 anos de prisão para Bignone, assim como para o ex-comandante dos Institutos Militares, general Santiago Riveros e para o ex-chefe de Inteligência de Campo de Mayo, general Fernando Verplaetsen, que cumprem condenações de prisão perpétua em outro julgamento por crimes de lesa-humanidade.

Além deles, estão envolvidos os generais da reserva Carlos Tepedino, Jorge García, Eugenio Guañabens Perelló e o ex-comissário Germán Montenegro.

Em uma entrevista incluída no documentário "Esquadrões da Morte. A Escola Francesa", da jornalista francesa Marie-Monique Robin, Bignone admitiu que o regime é culpado pelo desaparecimento de milhares de pessoas, embora não tenha reconhecido os 30.000 desaparecimentos estimados pelas organizações de Direitos Humanos.

"Falam de 30.000, mas apenas foram 8.000 (os desaparecidos)", disse Bignone naquela ocasião e revelou que a execução clandestina se inspirou em militares franceses durante a guerra da Argélia, a ponto de instrutores "franceses terem dado palestras e concedido consultas" na Argentina.

Durante o julgamento, que começou em novembro passado, cem testemunhas foram ouvidas, entre elas Héctor Ratto, sobrevivente do centro de torturas e ex-trabalhador da montadora alemã Mercedes-Benz que acusou a empresa de ser cúmplice do regime.

Por falta de espaço, o processo foi realizado em um galpão de uma associação da cidade de Munro, onde os juízes do tribunal oral federal 1 de San Martín ditarão a sentença.

Bignone assumiu o governo em 1982 depois da derrota militar para o Reino Unido na guerra pelas Ilhas Malvinas e o entregou em dezembro de 1983 ao eleito Raúl Alfonsín, primeiro presidente da "recuperação democrática", morto há um ano.

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