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25/04/2010 - 13h16

Fischer reeleito mas ultradireita obtém 16% dos votos

O chefe de Estado austríaco, o social-democrata Heinz Fischer, foi reeleito neste domingo nas eleições presidenciais com cerca de 78% dos votos frente a candidata de ultradireita Barbara Rosenkranz - que obteve aproximadamente 16% dos votos -, segundo a estimativa do instituto Arge.

O terceiro candidato, Rudolf Gehring, 61 anos, à frente do partido cristão CP?, contrário ao aborto, conseguiu 6% dos votos.

Em 2004, Heinz Fischer venceu a conservadora Benita Ferrero-Waldner com 52,39% dos votos, mas agora o partido democrata-cristão ?VP, que participa no governo da grande coalizão liderado pelo social-democrata Werner Faymann, não apresentou candidato.

Quase 6,35 milhões de austríacos estavam registrados para comparecer às urnas, incluindo os maiores de 16 anos, que votaram pela primeira vez.

Segundo o instituto Arge, que se baseia nos resultados preliminares obtidos depois do fechamento dos locais de votação, a participação caiu consideravelmente, passando de 71,6% em 2004 a pouco menos de 50%.

Ninguém duvida da reeleição de Heinz Fischer, 71 anos, - a quem os Verdes apoiam com o objetivo de frear o avanço da extrema direita - para um segundo mandato, mas quem realmente monopolizou as atenções foi a ultradireitista Barbara Rosenkranz.

Mãe de uma família numerosa, aos 51 anos Rosenkranz conseguiu dar um impulso à extrema direita nos últimos anos e sobretudo nas eleições legislativas de 2008.

Nas legislativas, seu partido FP? e o outro movimento populista austríaco BZ?, cujo líder carismático, J¶rg Haider, morreu em um acidente em outubro de 2008, somaram quase 29% dos votos e, nas eleições europeias de 2009, 17,74%.

A campanha eleitoral, sem debates nem muito entusiasmo, teria passado quase despercebida se não fossem as declarações polêmicas de Barbara Rosenkranz sobre o Holocausto.

A líder da ultradireita, cujo marido é um dos fundadores de um partido neonazista, era, inicialmente, favorável a revisar a lei que reprime as atividades neonazistas no país e as opiniões que negam o Holocausto. Mas ela teve de se retificar por ser alvo de críticas, inclusive dentro de seu próprio partido, o FP?.

O jornal popular Kronen Zeitung a princípio apoiou a candidata, devido sobretudo a suas posições antieuropeias, mas após suas declarações polêmicas mudou de ideia.

Com um prognóstico de intenção de voto de 20%, esta mãe de 10 filhos não conseguiu fazer a campanha deslanchar após o deslize.

O próprio presidente austríaco negou-se a participar de um debate transmitido pela televisão do qual ela participaria, alegando que "não tinha vontade de debater sobre as câmaras de gás".

O chefe do Estado austríaco desempenha um papel honorífico e moral, mas é o único líder eleito diretamente pelos cidadãos.

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