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25/04/2010 - 16h02

Fischer reeleito na Áustria e revés para ultradireita

VIENA, 25 abril 2010 (AFP) - O chefe de Estado austríaco, o social-democrata Heinz Fischer, foi reeleito neste domingo nas eleições presidenciais com cerca de 78% dos votos frente a candidata de ultradireita Barbara Rosenkranz - que obteve aproximadamente 16% dos votos -, segundo a estimativa do instituto Arge.

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Joe Klamar/AFPPresidente austríaco Heinz Fischer fala depois de ter vencido as eleições para seu segundo mandato de seis anos no cargo
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O terceiro candidato, Rudolf Gehring, 61 anos, à frente do partido cristão CPÖ, contrário ao aborto, conseguiu 6% dos votos.

Em 2004, Heinz Fischer venceu a conservadora Benita Ferrero-Waldner com 52,39% dos votos, mas agora o partido democrata-cristão ÖVP, que participa no governo da grande coalizão liderado pelo social-democrata Werner Faymann, não apresentou candidato.

Quase 6,35 milhões de austríacos estavam registrados para comparecer às urnas, incluindo os maiores de 16 anos, que votaram pela primeira vez.

Segundo o instituto Arge, que se baseia nos resultados preliminares obtidos depois do fechamento dos locais de votação, a participação caiu consideravelmente, passando de 71,6% em 2004 a pouco menos de 50%.

Ninguém duvidava da reeleição de Heinz Fischer, 71 anos, - a quem os Verdes apoiam com o objetivo de frear o avanço da extrema direita - para um segundo mandato, mas quem realmente monopolizou as atenções foi a ultradireitista Barbara Rosenkranz, que no fim obteve um resultado ruim na comparação com os últimos resultados eleitorais da ultradireita.

Mãe de uma família numerosa, aos 51 anos Rosenkranz conseguiu dar um impulso à extrema direita nos últimos anos e sobretudo nas eleições legislativas de 2008.

Nas legislativas, seu partido FPÖ e o outro movimento populista austríaco BZÖ, cujo líder carismático, Jörg Haider, morreu em um acidente em outubro de 2008, somaram quase 29% dos votos e, nas eleições europeias de 2009, 17,74%.

Por isso, a queda para 15,5% a 16% dos votos é considerada um revés pelos analistas.

A campanha eleitoral, sem debates nem muito entusiasmo, teria passado quase despercebida se não fossem as declarações polêmicas de Barbara Rosenkranz sobre o Holocausto.

A líder da ultradireita, cujo marido é um dos fundadores de um partido neonazista, era, inicialmente, favorável a revisar a lei que reprime as atividades neonazistas no país e as opiniões que negam o Holocausto. Mas ela teve de se retificar por ser alvo de críticas, inclusive dentro de seu próprio partido, o FPÖ.

O jornal popular Kronen Zeitung a princípio apoiou a candidata, devido sobretudo a suas posições antieuropeias, mas após suas declarações polêmicas mudou de ideia.

Com um prognóstico de intenção de voto de 20%, esta mãe de 10 filhos não conseguiu fazer a campanha deslanchar após o deslize.

O próprio presidente austríaco negou-se a participar de um debate transmitido pela televisão do qual ela participaria, alegando que "não tinha vontade de debater sobre as câmaras de gás".

O chefe do Estado austríaco desempenha um papel honorífico e moral, mas é o único líder eleito diretamente pelos cidadãos.

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