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27/04/2010 - 14h01

Brasil pede ao Irã garantias sobre o programa nuclear

O ministro brasileiro Celso Amorim afirmou nesta terça-feira, em Teerã, que seu país tenta impedir a aprovação de novas sanções contra o Irã, defendendo maior flexibilidade por parte das potências ocidentais; ao mesmo tempo, pediu garantias ao governo da república islâmica de que seu programa nuclear não tem finalidades militares.

"Buscamos um meio para impedir as sanções contra o Irã. Pensamos que as sanções não seriam eficazes e apenas afetariam a população, e em particular as classes desfavorecidas", disse.

Amorim, que chegou segunda-feira ao Irã, encontrou-se nesta terça com o presidente Mahmoud Ahmadinejad, antes da visita prevista ao Irã nos dias 16 e 17 de maio do presidente brasileiro Luiz Inacio Lula da Silva.

"O Irã e o Brasil devem desempenhar um papel na criação de uma nova ordem mundial justa", declarou Ahmadinejad, citado pela Irna.

Ahmadinejad havia visitado o Brasil em novembro do ano passado.

Durante entrevista coletiva, Amorim afirmou que "o Irã tem direito a atividades nucleares pacíficas, mas a comunidade internacional deve receber garantias de que não haverá violação e desvio (da tecnologia nuclear) para objetivos militares".

"Às vezes existem algumas dúvidas, e o Brasil afirma que é preciso eliminar todas as ambiguidades", acrescentou.

O chanceler brasileiro insistiu em que o Irã e as potências mundiais envolvidas na negociação da questão nuclear iraniana (EUA, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha) devem ser flexíveis para a obtenção de um acordo sobre a troca de combustível nuclear.

"Damos grande importância à troca de urânio. Esperamos que este acordo aconteça. Este acordo é significativo e cria confiança entre o Irã e a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), mas como em qualquer outra negociação deve existir flexibilidade dos dois lados", destacou Amorim.

O Brasil é membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, que deve se pronunciar em breve sobre novas sanções contra o Irã, um país considerado suspeito pelas potências ocidentais de tentar produzir armamento nuclear.

As autoridades iranianas alegam que o programa nuclear tem objetivos exclusivamente civis e que precisam do urânio para um reator de pesquisas médicas de Teerã.

Quatro dos cinco membros permanentes do Conselho (Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia) defendem a imposição de mais sanções ao Irã, enquanto que a China, principal parceiro comercial e aliado político do regime de Teerã, preconiza o diálogo.

O Brasil também defende a negociação, assim como a Turquia, que ocupa atualmente outro dos 10 postos de membros não permanentes do Conselho.

Brasília, que executa há alguns anos uma ofensiva diplomática para conseguir uma vaga permanente no Conselho, também está disposta a desempenhar um papel de protagonista na solução desta crise.

"Queremos uma solução para sair desta paralisia. O Brasil quer ter seu papel", ressaltou o chefe da diplomacia.

Amorim reiterou que as sanções seriam estéreis e afirmou, em entrevista à agência oficial iraniana Irna que, para evitar este extremo, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está disposto a estudar a possibilidade de uma troca de urânio no território brasileiro, mas deixou claro que até o momento ninguém fez este pedido.

As potências ocidentais desejam que o Conselho decrete novas sanções contra o Irã, que em fevereiro começou a produzir urânio enriquecido a 20%.

Teerã rejeitou uma proposta da AIEA, a agência nuclear da ONU, de entregar, como prova de boa vontade, a maior parte do urânio enriquecido a 3,5% para transformá-lo, na Rússia e na França, no combustível nuclear que alega necessitar.

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