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28/04/2010 - 15h29

Agências de rating são de novo alvo de críticas em meio à crise grega

Criticadas por não terem previsto a crise, as agências de classificação de risco, encarregadas de avaliar a solidez financeira de um Estado ou uma empresa, voltam a ser alvo de reclamações, em um momento em que a Grécia espera ajuda financeira bilionária para saldar suas dívidas. Nesta quarta-feira, o presidente do Fundo Monetário Nacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, disse que não dá para "acreditar muito" nas agências de risco.

Uma das três grandes agências internacionais de rating, a Standard and Poor's, rebaixou na terça-feira a nota da dívida soberana grega de longo prazo, de "BBB+" para "BB+", relegando-a à categoria de investimento especulativo. A agência também rebaixou a nota de curto e longo prazo de Portugal, considerado o membro mais frágil da zona do euro depois da Grécia, por conta de seu alto nível de endividamento.

Nesta quarta-feira, a Comissão Europeia pediu às agências que "trabalhassem de forma responsável e rigorosa". O diretor-gerente do FMI, por sua vez, afirmou que não dá para "acreditar muito" no que as agências de rating dizem.

Questionado sobre o papel dessas empresas e sobre o crédito que deveria ser dado a elas, Strauss-Kahn respondeu: "elas refletem o que recolhem (de informação) no mercado". "Não dá para acreditar muito no que dizem, mas têm sim sua utilidade", completou.

A porta-voz da comissão para serviços financeiros, Chantal Hughes, disse que o executivo europeu espera que quando as agências avaliarem a solvência da Grécia "levem em conta os fundamentos da economia grega e o plano de apoio preparado pelo Banco Central Europeu (BCE), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Comissão".

Questionado pela AFP, o presidente da Comissão de Finanças do Senado francês, Jean Arthuis, lamentou que as agências tenham atuado tão tarde.

"Desde 2004, sabíamos que as autoridades gregas maquiavam (os dados da economia). As agências poderiam ter atuado antes. Se tivessem antecipado, talvez as autoridades gregas teriam reagido com mais rapidez às dificuldades", completou Arthuis.

Para outros economistas, no entanto, as agências de classificação estão cumprindo seu papel de avaliar a confiabilidade das obrigações estatais.

"As agências de classificação de risco trabalham e pesquisam. Empregam economistas e analistas, encarregados de estudar de perto a situação de cada país. Podemos discutir a diferença de um degrau, mas, fundamentalmente, elas cumprem seu papel", afirma Gunther Capelle-Blancard, diretor-adjunto do Centro francês de Estudos Prospectivos e Informações Internacionais (CEPII).

Henri Sterdinyak, especialista do Observatório Francês de Conjunturas Econômicas (OFCE), completa: "se as classificação são tão observadas, é porque os Estados foram incapazes de regular os mercados financeiros e de proibir a especulação com os CDS". Os CDS, ou Credit Default Swap, são títulos que permitem se proteger contra o eventual calote de um emissor de dívida.

Nesta quarta-feira, os CDS da Grécia atingiram 840 pontos básicos, o que significa que para garantir 10 milhões de dólares de dívida grega até 2015, é necessário desembolsar 840 mil dólares por ano.

Capelle Blancard destaca o seguinte paradoxo: "quando as agências de classificação de risco intervêm tarde demais, são reprovadas por não ter antecipado a crise. Quando fazem cedo demais, são criticadas por provocar a crise. Chegou o momento de (o mercado) ser coerente".

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