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28/04/2010 - 10h59

Opositores russos caem na armadilha do "Katiagate", uma nova "Mata Hari"

Em uma armadilha digna das melhores épocas da KGB, "Kátia", uma jovem bela e misteriosa, seduziu diversos opositores do governo russo, filmando em segrego suas aventuras amorosas e depois divulgando as imagens na Internet, o que provocou polêmica e protestos por parte de suas vítimas.

Os "seduzidos" caíram em uma armadilha que lembra os métodos dos serviços secretos da União Soviética durante a Guerra Fria, quando buscavam chantagear diplomatas ocidentais com o objetivo de obter informação.

Essa técnica foi adotada nos tempos modernos e utilizada contra os opositores ao governo de Vladimir Putin, para envergonhá-los e diminuir sua autoridade moral.

Em um vídeo postado na internet na semana passada, três figuras da oposição russa apareciam separadamente com a jovem "Kátia", em uma série de cenas íntimas filmadas num mesmo apartamento sem que eles se dessem conta.

Dois deles, o sarcástico Viktor Chenderovich e o ex-líder do movimento de ultradireita contra a imigração ilegal, Alexander Belov, confirmaram que aparecem no vídeo. "Há dez anos comento as ações do senhor Putin e de sua administração de gângsters", escreveu Belov em seu blog. "Escutaram sem jamais negar nada, para finalmente responder com obscenidades ilegais", completou Belov.

O terceiro opositor, Eduard Limonov, chefe do Partido Nacional Bolchevique, não confirmou sua suposta presença no vídeo. O político e escritor escreveu em seu blog que não via "nada de errado no fato de um opositor não conseguir resistir às mulheres".

As imagens comprometedoras, acompanhadas de uma trilha sonora e filmadas com a ajuda de várias câmeras, são a obra de profissionais, afirmou Kirill Kabanov, um ex-agente da KGB que agora dedica-se à luta contra a corrupção.

Segundo Kabanov, é pouco provável que os serviços especiais russos (FSB, ex-KGB) estejam envolvidos no caso, que seria "mais uma obra de companhias de segurança privadas que contam com equipe técnica apropriada".

O escândalo "Katiagate" começou em março com um vídeo que mostrava um homem parecido com Mijail Fichman, editor-chefe da edição russa da revista Newsweek e bastante crítico do governo, cheirando um pó branco e sentado ao lado de uma mulher bonita.

O jornalista não confirmou se era o homem do vídeo, mas denunciou ser alvo de uma "operação especial" orquestrada pelas autoridades russas.

Dois outros líderes da oposição russa confirmaram ter sido abordados de forma similar, pela mesma mulher e no mesmo apartamento do vídeo no qual Fichman supostamente aparece.

Ilia Yashin, co-fundador do movimento de oposição Solidaridade, identificou a jovem como Ekaterina Guerassimova, uma modelo com quem teve um breve relacionamento em 2008.

O homem teve suspeitas desde que a mulher o convidou a seu apartamento para lhe dar "uma surpresa" com uma companheira que também era modelo. Quando Yashin perguntou se eles seriam filmados, as mulheres negaram e lhe disseram para se tranquilizar. Depois que elas lhe ofereceram cocaína, ele abandonou o local.

Após esses incidentes, os blogueiros próximos da oposição lançaram um chamado a todas as pessoas para obter informação sobre quem ordenou as operações. Mas não obtiveram resposta, e Kátia desapareceu desde então.

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