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28/04/2010 - 10h27

UE anuncia cúpula sobre Grécia, cuja crise se espalha pelos mercados

O presidente da União Europeia (UE), Herman Van Rompuy, convocou nesta quarta-feira uma cúpula da zona do euro para 10 de maio com o objetivo de tratar do pedido de ajuda financeira feito pela Grécia, que busca desesperadamente superar uma crise que ameaça levar o país à bancarrota e se estender a outros países como Portugal.

A perspectiva de uma reunião não foi suficiente para acalmar os mercados.

O euro caiu nesta quarta-feira, para 1,3143 dólar, novo recorde de baixa em um ano, antes de se recuperar levemente.

As bolsas europeias abriram em baixa, depois de sofrer fortes perdas na terça-feira, e o petróleo também perdia terreno.

Decidido a apagar o fogo, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, afirmou em Tóquio que os países da zona do euro, a Comissão e o Banco Central Europeu (BCE) estão "decididos a garantir a estabilidade da zona do euro" e descartou a possibilidade de uma reestruturação da dívida grega.

Mesmo assim, os preparativos aceleravam-se para liberar o plano de ajuda.

Van Rompuy convocou uma cúpula de chefes de Estado e de governo do Eurogrupo para "em torno de 10 de maio" com o objetivo de tratar do desbloqueio da ajuda prometida.

Segundo o plano acordado pelos 16 países da zona do euro, essas nações aportariam à Grécia, na forma de empréstimos bilaterais, 30 bilhões de euros em 2010. A esse montante se acrescentarão 15 bilhões de euros, aportados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Atualmente, o governo grego negocia com a UE, o FMI e o BCE medidas suplementares de rigor fiscal para 2011 e 2012, condição indispensável para que seu pedido seja atendido. A Comissão Europeia disse que esses contatos estão obtendo "progressos rápidos e importantes".

Em um momento em que os mercados duvidam de que a ajuda consiga resolver os problemas de endividamento da Grécia no longo prazo, a imprensa anglo-saxã indicava que o FMI poderá concordar com um empréstimo superior ao pensado incialmente.

Questionado pela AFP, um porta-voz do ministério grego de Finanças limitou-se a declarar que o montante definitivo do empréstimo do fundo está sendo discutido.

A pressão acentuou-se fortemente na zona do euro na terça-feira à tarde, quando a agência de classificação de risco Standard and Poor's rebaixou em três níveis a nota de longo prazo da dívida soberana da Grécia, para BB+, fazendo com que os títulos do país fossem considerados especulativos, ou seja, com alto risco de "default".

Dessa forma, o rendimento dos títulos gregos de 10 anos continuou batendo níveis recordes de juros nesta quarta-feira, superando os 11%.

Os títulos de dez anos de Portugal e Espanha, países da zona do euro também muito endividados, foram arrastados pela alta.

As taxas dos papéis portugueses dispararam para 5,936% (frente a 4,7% da véspera), no dia seguinte ao rebaixamento promovido pela S&P.

Os juros dos títulos espanhóis subiam para 4,212% às 12h30 locais, frente a 4,052% na terça-feira.

Respondendo aos temores de contágio, o governo alemão pediu calma, ao considerar que a situação de Portugal e Espanha "não é comparável" à da Grécia, repetindo a posição expressada pouco antes pelo economista-chefe do BCE, Jürgen Stark.

O governo grego continua lembrando que em 19 de maio precisará desembolsar 9 bilhões de euros, e que nas condições atuais, o país não pode arrecadar dinheiro nos mercados, fazendo com que necessite de ajuda financeira urgentemente.

O pedido grego de ativação do mecanismo de ajuda enfrenta, no entanto, as exigências da Alemanha, que será o principal contribuinte, com 8,4 bilhões de euros, e pede previamente a Atenas um plano de ajuste fiscal "concreto" para os próximos anos.

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