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29/04/2010 - 15h38

Esperanças de acordo rápido sobre desbloqueio de ajuda à Grécia

O plano internacional de ajuda à Grécia ficará pronto em breve, anunciou Bruxelas esta quinta-feira, o que serviu para acalmar os mercados, embora o desbloqueio dos empréstimos vá estar condicionado a um plano de ajuste fiscal que se anuncia difícil para a população grega.

As discussões em curso entre Atenas, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia estão "a ponto de ser concluídas", declarou, em Bruxelas, o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Olli Rehn.

O acordo, que parece descartar uma suspensão de pagamentos a curto prazo, sairá "nos próximos dias", segundo o primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreou, e consistirá, previsivelmente, de um programa plurianual de ajuste orçamentário e estrutural. O objetivo é reduzir o elevado déficit fiscal do país (13,6% do PIB em 2009) e a dívida pública (115,1%).

O risco de contágio para outros países muito endividados na zona do euro, como Portugal e Espanha, parece ter convencido os dirigentes europeus mais reticentes a ajudarem a Grécia - isto é, os alemães -, da necessidade de desbloqueio rápido da ajuda.

Para tranquilizar Berlim, Rehn reiterou que os empréstimos bilaterais a Atenas estarão subordinados, em cada etapa, à "aplicação" das medidas de austeridade e às reformas estruturais exigidas.

O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Sch¤uble, expressou-se no mesmo sentido, considerando que, em comparação com este ano, a Grécia precisará de menos ajuda em 2011 e 2012.

Segundo informaram dois deputados alemães após reunir-se com os diretores do FMI e do Banco Central Europeu (BCE), a Grécia precisará de um total de 100 a 120 bilhões de euros de ajuda até 2012.

Por enquanto, o valor antecipado foi de 45 bilhões de euros de ajuda para este ano, dos quais a zona do euro dará dois terços e o FMI, o terço restante.

A perspectiva de um acordo rápido tranquilizou os mercados europeus, que se recuperaram após dois dias de pânico.

A bolsa de Atenas fechou com uma alta espetacular de 7,14%. Paris subiu 1,42%, Londres, 0,56% e Frankfurt, 1%. As bolsas dos outros países europeus com elevado déficit também fecharam em alta: Madri (+2,69%), Lisboa (+4,59%), Dublin (+3,2%) e Milão (+0,9%).

Os juros dos bônus gregos com dez anos, que na quarta-feira bateram um recorde histórico acima dos 11%, baixaram para 9%. As taxas dos bônus portugueses com 10 anos caíram 5,452% (frente a 5,761%, na véspera) e as dos espanhóis se limitaram a 4,066% (frente a 4,113% na noite de quarta).

O petróleo subiu fortemente nos dois lados do Atlântico e o euro se recuperou dos níveis mais baixos em um ano, acima de US$ 1,33.

Na Grécia, no entanto, o plano de rigor fiscal que se avizinha em troca da ajuda inquieta os sindicatos, que convocaram uma greve geral para 5 de maio.

Segundo um sindicalista que participou de uma reunião com o primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreou, a UE e o FMI estão pedindo ao governo grego que, em 2010 e 2011, diminua em dez pontos percentuais o déficit público, que em 2009 alcançou 13,6% do PIB. A redução exigiria uma poupança no valor de 25 bilhões de euros.

A UE e o FMI "examinam também uma supressão do 13º e do 14º salários no setor público para funcionários e pensionistas", acrescentou o sindicalista.

Antes das atuais negociações, a Grécia já havia adotado um plano de reajuste que inclui a alta do IVA e outros impostos, bem como cortes salariais.

Na quarta-feira, em Berlim, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, e o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, insistiram na urgência de se ajudar a Grécia para garantir a estabilidade da zona do euro. Suas declarações foram saudadas pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo presidente americano, Barack Obama.

Após as enérgicas exigências das últimas semanas, Berlim enviou sinais positivos sobre a ativação da ajuda à Grécia, que deverá ficar clara em uma cúpula de dirigentes da zona do euro convocada para 10 de maio.

Na terça e quarta-feiras, a agência de classificação de risco Standard and Poor's alimentou os temores de um contágio da crise grega para outros países da zona do euro, ao degradar a dívida de Portugal e Espanha. A decisão fez as bolsas despencarem e o euro caiu ao seu nível mais baixo em um ano, a 1,3115 dólar.

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