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29/04/2010 - 10h52

Grécia pressionada a sanar dívidas e temores de contágio aumentam

A Grécia continuava sofrendo pressões nesta quinta-feira para adotar um severo plano de ajuste fiscal que lhe permita reduzir seu elevado endividamento e acalmar, desse modo, os temores de que a crise se estenda para outros países mais frágeis, como Portugal e Espanha, cuja dívida soberana também sofreu uma degradação.

A Comissão Europeia indicou que as discussões sobre um pacote de ajuda da Eurozona e do FMI à Grécia estão prestes a ser concluídas, mas que a efetivação depende da aplicação de reformas fiscais e estruturais prometidas por Atenas para reduzir seu déficit.

"Confio que as discussões terminarão nos próximos dias. O resultado será um programa plurianual que levará a um ajuste orçamentário e estrutural importante", indicou o comissário para Assuntos Econômicos, Olli Rehn, em uma declaração à imprensa.

Dirigentes da Comissão, do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) negociam atualmente em Atenas com o governo grego as reformas em troca das quais se desbloqueará a ajuda.

Rehn advertiu que, ao longo de todo este ano, a Grécia terá que aplicar de maneira efetiva as reformas prometidas para reduzir seu déficit. Uma maneira de tranquilizar a Alemanha, que será o principal contribuinte e está fazendo jogo duro.

"O financiamento para a Grécia em forma de empréstimos coordenados dos Estados membros da zona euro estará condicionada à aplicação das decisões pedidas em cada etapa, para que sejam cumpridas as condições de consolidação orçamentária e de reformas estruturais", acrescentou Rehn.

A UE e o FMI também pediram ao governo grego que nos próximos dois anos reduza em 10 pontos percentuais o déficit público, que em 2009 alcançou 13,6% do PIB, e que corte os salários, indicou à imprensa um sindicalista depois de uma reunião com o primeiro-ministro Giorgos Papandreou.

A UE e o FMI examinam com os dirigentes gregos uma redução do déficit público de 10 pontos em dois anos, 2010 e 2011, o que vai requerer uma economia de 25 bilhões de euros, precisou a fonte.

O déficit público da Grécia em 2009, calculado em 13,6% do PIB pela agência europeia de estatísticas Eurostat, pode ter alcançado os 14% no ano passado, segundo advertiu o ministro grego das Finanças, Giorgos Papaconstantinou.

A UE e o FMI também examinam uma supressão dos 13º e 14º salários no setor público para os funcionários e pensionistas, acrescentou o sindicalista.

O Imposto sobre Valor Agregado (IVA) também pode ser aumentado em um ou dois pontos, acrescentou outro participante que pediu para não ser identificado.

No plano de ajuda da Eurozona e do FMI, de três anos, prevê a princípio ajudas de 45 bilhões de euros (60 bilhões de dólares) em 2010. O FMI concederia um terço desse total.

Esse plano de ajuda à Grécia é necessário para evitar o contágio da crise na eurozona, afirmou o presidente do Banco Central da Alemanha (Bundesbank), Axel Weber, em uma entrevista ao jornal Bild.

"No final das contas, uma ajuda à Grécia é o melhor meio atualmente para evitar uma propagação da crise a outros países da comunidade e evitar consequências negativas para a eurozona", afirmou.

A agência de classificação financeira Standard and Poor's reduziu na quarta-feira a nota soberana da Espanha, colocando assim o terceiro país da eurozona no olho do furacão dos mercados, um dia depois de uma decisão similar a respeito de Grécia e Portugal.

Ao mesmo tempo, Weber declarou que a saída da Grécia do sistema euro é impossível.

Na véspera, o presidente Barack Obama e a chanceler alemã, Angela Merkel, concordaram sobre a necessidade de uma "ação firme" da Grécia, da União Europeia e do FMI para enfrentar a crise provocada pela dívida grega, informou a Casa Branca.

"O presidente Obama e a chanceler alemã, Angela Merkel, falaram por telefone hoje, em uma série de consultas entre aliados próximos sobre assuntos internacionais", disse a Casa Branca em um comunicado.

"Discutiram a importância de uma ação firme da Grécia e o apoio oportuno do Fundo Monetário Internacional e da Europa para enfrentar as dificuldades econômicas da Grécia", acrescentou.

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