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03/05/2010 - 16h31

Irã: Centro Wiesenthal alerta Brasil sobre cumplicidade com genocídio

O Centro Simón Wiesenthal, uma entidade que investiga nazistas fugitivos, advertiu nesta segunda-feira que o Brasil pode se tornar cúmplice de um suposto genocídio, caso não esclareça sua posição sobre o plano nuclear do Irã.

"Um apoio aos planos nucleares de um regime que ameaça apagar o Estado de Israel do mapa pode colocar o Brasil no lugar de cúmplice de uma tentativa de genocídio", alertou Shimon Samuels, Diretor de Relações Institucionais do centro, que possui sua sede latino-americana em Buenos Aires.

Segundo o centro, durante uma viagem a Teerã na semana passada, o chanceler brasileiro Celso Amorim defendeu o direito do Irã de levar a cabo "atividades nucleares pacíficas", além de frisar que "as sanções são negativas, não dão resultado, e são injustas".

A organização afirma que o "Brasil tem a responsabilidade, em sua posição de membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas durante o período 2010-2012, de esclarecer sua posição em relação aos planos nucleares do Irã, em conformidade com as aspirações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a uma função global e a uma cadeira permanente do Conselho de Segurança".

Solicitamos que, durante sua próxima viagem a Teerã, o presidente Lula faça referência à cumplicidade do Irã com o atentado terrorista de 1994 contra a Associação Mútua Isralense-Argentina (Amia) em Buenos Aires; em especial à pessoa assinalada como líder da conexão local, Samuel Salman El Reda, que se refugia em Foz do Iguaçu. O presidente Lula deveria mostrar-se solidário a seu parceiro no Mercosul, a República Argentina, para levar à justiça os iranianos envolvidos no ataque, acrescentou Sergio Widder, Diretor para a América Latina do Centro.

O presidente brasileiro tem uma viagem marcada ao Irã para o próximo mês de maio.

O Centro Simon Wiesenthal é uma organização judaica internacional de direitos humanos, com mais de 400 mil membros em todo o mundo. O grupo possui status de ONG ante a ONU, a UNESCO, a OEA, o Conselho da Europa e o Parlamento Latino-Americano.

Para os promotores que investigam o atentado contra a Amia, em Buenos Aires, são múltiplos os elementos que envolvem a embaixada do Irã no ataque, tendo como um dos motivos apontados o cancelamento de contratos de cooperação nuclear entre os dois países.

Acreditamos que muito antes do atentado, Teerã havia montado na Argentina uma estrutura clandestina de inteligência e espionagem que, na medida em que se aproximava (a data do ataque) foi progressiva e convenientemente reforçada, diz a petição apresentada ao juiz encarregado do caso, Rodolfo Canicoba Corral, para que autorizasse, como o fez, a prisão de oito ex-altos funcionários iranianos e um dirigente libanês.

O ataque contra a sede da Amia aconteceu no dia 18 de julho de 1994 e causou a morte de 85 pessoas e ferimentos em outras trezentas.

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