UOL Notícias Notícias
 

05/05/2010 - 12h48

Crise grega coloca em dúvida a própria sobrevivência do euro

A crise da dívida grega, que ameaça se estender para outros países que adotaram a moeda única, evidencia ao mesmo tempo as dificuldades de governança e as disparidades econômicas da zona do euro, que poderão comprometer sua própria sobrevivência, segundo especialistas.

O euro, que estava cotado em mais de 1,45 dólar no início do ano, ficou na terça-feira abaixo de 1,29 dólar, seu nível mais baixo em um ano. Os mercados não estão convencidos do êxito do plano de ajuda à Grécia, decidido no final de semana passado pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Duvidando que o país consiga organizar suas finanças públicas, eles temem também que a crise se propague para outros países da zona do euro, principalmente Espanha e Portugal.

Nesta tempestade financeira, aqueles que já começam a questionar a própria sobrevivência da moeda única são cada vez mais numerosos.

O temor foi expressado na terça-feira pelo Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz, conhecido por sua eurofilia: "o futuro do euro talvez seja limitado".

Desde janeiro, os economistas já denunciam a lentidão da resposta europeia à crise grega. O plano de resgate foi adotado apenas depois de trabalhosas negociações, principalmente com uma Alemanha muito hesitante.

E o mais grave, a crise grega forçou o Banco Central Europeu (BCE) a violar seus próprios princípios, aceitando como garantia títulos da dívida grega sem levar em consideração a qualidade de sua classificação.

"Se o presidente do BCE abandona no espaço de algumas semanas princípios importantes, por que o euro deveria permanecer estável nas próximas décadas?", se pergunta em um editorial o jornal alemão Die Welt.

Enfim, a "tragédia grega" ressuscita uma questão essencial: qual é o bom fundamento de uma moeda que reúna países com performances econômicas tão contrastantes como Alemanha e Grécia ?

Concretamente, a adesão à moeda única tira da Grécia a arma da desvalorização, ameaçando-a com um longo purgatório de recessão.

Como apostam os críticos do euro, as disparidades econômicas farão explodir a zona do euro, que eles consideram uma aberração desde o início.

"É tempo de reconhecer o fracasso do euro", considera Jean-Jacques Rosa, economista e professor emérito do Instituto de Estudos Políticos de Paris. Ele vai além, considerando que a Alemanha e alguns países vizinhos poderiam formar uma "pequena zona do marco", "economicamente lógica".

Para os defensores da moeda única, a sobrevivência da zona do euro é possível, mas passa por reformas estruturais.

"Esta crise obriga nós europeus a fazermos progressos importantes no sentido da governança econômica e política da Europa", disse nesta quarta-feira à rádio France Inter o presidente do Conselho de Análise Econômica Francês, Christian de Boissieu.

O principal defeito na couraça da zona do euro seria a ausência de uma política orçamentária única.

"A união monetária exige uma mobilidade de trabalho e uma flexibilidade orçamentária, sob a forma de um Ministério das Finanças único", consideram também os economistas do banco Standard Chartered.

Para o economista Marc Touati, fundador da consultoria ACDEFI, é preciso também redefinir o papel do BCE, que deve parar de agir "por dogmatismo" e preferir o crescimento ao rigor monetarista.

"No pior dos cenários, as pressões poderão acabar causando a explosão da zona do euro. No outro extremo, elas poderão forçar a Europa a adotas uma união orçamentária completa", concluiu Andrew Smith, economista do gabinete do conselho KPMG.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    09h19

    -0,12
    3,178
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,29
    64.676,55
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host