UOL Notícias Notícias
 

08/05/2010 - 10h52

Liberais-democratas avaliam possível apoio a governo conservador

O líder liberal-democrata Nick Clegg avaliava neste sábado com o partido a oferta de "pacto global" dos conservadores de David Cameron para a formação de um governo de coalizão, o que retiraria a Grã-Bretanha da crise gerada pelas eleições gerais de quinta-feira.

Os conservadores venceram a votação, mas, com 306 deputados, não conquistaram a maioria absoluta de 326 dos 650 cadeiras da Câmara dos Comuns que teria permitido a Cameron mudar-se imediatamente para Downing Street.

A situação de "hung parliament", inédita desde 1974, deixou nas mãos dos 57 deputados liberais-democratas a chave de um governo, com os conservadores ou com os teoricamente mais próximos trabalhistas, que conseguiram eleger 258 deputados, caso as negociações com os primeiros não sejam avancem.

"O resultado destas eleições significa que os políticos têm o dever de conversar porque o povo merece um governo estável", declarou Clegg neste sábado.

"Os liberais-democratas têm que conversar com outros partidos em um espírito construtivo. Isto é justamente o que vamos fazer nas próximas horas e dias", completou.

Mas após um primeiro contato entre representantes dos 'lib-dem' e dos conservadores na noite de sexta-feira, um dos negociadores liberais, Simon Hughes, advertiu que era prematuro esperar um acordo para este sábado.

Ele disse ainda que as conversações prosseguirão durante todo o fim de semana.

Clegg e Cameron, ambos de 43 anos, conversaram por telefone na sexta-feira e, segundo uma fonte liberal-democrata "concordaram em explorar mais as propostas sobre um possível programa de reforma política e econômica".

O conservador, que busca levar o partido ao poder após uma eleição pela primeira vez desde 1992, propôs a Clegg um pacto "grande, aberto e global".

Ele citou temas de possíveis acordos, como a educação ou o desenvolvimento de uma economia verde.

Como principal incentivo, ofereceu a criação de uma comissão para estudar uma eventual reforma do sistema eleitoral uninominal majoritário, que Clegg transformou em um dos principais temas de sua campanha.

Mas Cameron também já ressaltou que não pretende negociar temas como a relação com União Europeia, a imigração, o sistema de dissuasão nuclear ou a rápida redução do déficit público.

Clegg apresentou as quatro prioridades que guiarão seu partido nas discussões: impostos mais justos, oportunidades na educação, uma nova aproximação da economia e reformas políticas.

Os conservadores desejam um acordo antes da abertura na segunda-feira dos mercados financeiros, que na sexta-feira sofreram as consequências da incerteza política, especialmente a libra esterlina.

Mas a proposta pode esbarrar nas dúvidas de muitos liberais-democratas, que encaram com receio a aliança, ainda mais porque as regras do partido progressista de centroesquerda determinam que qualquer decisão tem que ser aprovada com 75% dos votos.

Assim, e apesar dos conservadores não terem descartado a possibilidade de formar um governo minoritário, pode entrar em jogo o primeiro-ministro Gordon Brown, que segundo as convenções constitucionais pode permanecer no cargo até que exista um governo com a confiança do Parlamento.

Brown se disse "disposto" a conversar com Clegg se as discussões não evoluíssem com os conservadores.

Mas os trabalhistas teriam uma missão árdua, já que além de convencer os lib-dem teriam ainda que obter o apoio de outros partidos regionais minoritários para alcançar a almejada marca de 326 cadeiras.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    15h39

    0,53
    3,164
    Outras moedas
  • Bovespa

    15h42

    0,65
    65.525,15
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host