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16/05/2010 - 20h23 / Atualizada 16/05/2010 - 20h24

BP consegue bombear petróleo do poço do Golfo do México

NOVA ORLEANS, EUA, 16 Mai 2010 (AFP) -O grupo petroleiro BP conseguiu pela primeira vez depois do início do vazamento começar a bombear o petróleo que sai do poço do Golfo do México graças a um tubo conectado a um navio na superfície, anunciaram as autoridades americanas neste domingo.

A empresa britânica "conectou com sucesso" na madrugada deste domingo o duto ligado à embarcação, informou o centro de comando de operações de socorro em um comunicado.

O tubo de 15 cm de largura foi inserido no poço de mais de cinquenta centímetros de diâmetro "recolhendo certo volume de petróleo e de gás", segundo a mesma fonte.

O petróleo foi estocado a bordo de um navio que está a 1,5 quilômetros do fundo do mar, enquanto que o gás natural foi queimado na superfície.

A operação, no entanto, foi interrompida porque o duto deslocou da sua ancoragem, o que não surpreendeu as autoridades americanas. Elas afirmaram que essa operação jamais havia sido realizada em profundidades e nas circunstâncias atuais.

Mesmo se a empresa conseguir recolocar o tubo, o processo não permitirá, contudo, recuperar os 800 mil litros de óleo que são liberados diariamente nas águas do Golfo, segundo as estimativas oficiais.

De acordo com as recentes avaliações de especialistas, o volume deverá aumentar de 5 a 20 vezes. A tese ganhou força com a descoberta por cientistas americanos de enormes poços de óleo a grandes profundidades no local.

Essas camadas de petróleo, com quilômetros de espessura, têm 16 km de comprimento e 5 km de largura, informaram ao New York Times os cientistas que trabalham a bordo de um navio de pesquisa.

"Existe uma quantidade abundante de petróleo nas profundezas em comparação ao que é visto na superfície. O volume está dividido em inúmeras camadas, que se sobrepõem em três, quatro ou cinco níveis", acrescentou o jornal neste domingo, citando a pesquisadora da Universidade de Geórgia, Samantha Joye.

Esta descoberta surge ao mesmo tempo em que a polêmica sobre o uso de dispersantes para desintegrar o óleo aumenta.

Depois da explosão da plataforma Deepwater Horizon, no dia 20 de abril, a BP lança toneladas de produtos químicos na superfície do mar. Na sexta-feira, a Agência de Proteção ao Meio Ambiente (EPA) deu o sinal verde para a empresa espalhar os produtos também no fundo do mar, principalmente, no entorno dos canos.

"Isso vai gerar um mortandade de peixes", disse à AFP Clint Guidry, presidente da Associação de Pescadores de Camarões de Louisiana. "Eles estão trocando uma tragédia atual, por um desastre a longo prazo".

"Isso poderá criar graves repercussões na vida marinha", corroborou Aaron Viles, membro da Rede de Proteção do Golfo, um grupo de associações ambientais.

Para Paul Horsnan, especialista do petróleo para o Greenpeace, a BP escolheu essa solução com a finalidade de proteger sua imagem: "Isso evita grandes manchas negras" e assim, o impacto negativo na opinião pública é mais fraco do que "quando grandes ondas de óleo atingem a costa".

Em Nova Orleans, os habitantes assistem neste domingo a um enorme show que reunirá diversos artistas como o astro Lenny Kravitz e o embaixador da cultura cajun, Zachary Richard.

A receita do evento será revertida para os organismos que trabalham na proteção dos rios e ajuda pescadores afetados pela tragédia.

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