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16/05/2010 - 17h20 / Atualizada 16/05/2010 - 17h23

'Camisas vermelhas' da Tailândia pedem medição da ONU

bangcoc, Tailândia, 16 Mai 2010 (AFP) - Depois de três dias de confrontos em Bangcoc com um saldo de 33 mortos, continuavam neste domingo os disparos e explosões na cidade, sem que o exército conseguisse conter os 'camisas vermelhas' antigovernamentais, que pediram que as Nações Unidas façam a mediação do conflito.

Ao menos 33 pessoas morreram e outras 239 ficaram feridas em três dias de confrontos entre manifestantes antigoverno e militares, segundo os serviços de emergência locais.

Um hotel de luxo de Bangcoc foi atacado à noite por disparos depois de uma forte explosão, obrigando cerca de cem clientes a se refugiar no porão.

Os manifestantes, que se confrontam violentamente com o exército, pediram a mediação da ONU, proposta que foi imediatamente rejeitada pelo governo.

"Pedimos ao governo que cessem os disparos e que retire os soldados" (que cercam o bairro ocupado pelos manifestantes desde o início de abril), declarou Kokaew Pikulthong, um dos dirigentes do movimento.

Antes de fazer esta proposta, que o governo rejeitou imediatamente, os dois campos haviam radicalizado suas ações, principalmente desde quinta-feira, quando o exército lançou uma operação destinada a asfixiar a 'zona vermelha' em pleno centro da capital.

Os soldados não hesitam em disparar contra os manifestantes. Estes, por sua parte, reforçaram as defesas de seu acampamento e alguns deles realizam operações de guerrilha urbana usando coqueteis molotov, pedras e, às vezes, armas de fogo.

Os enfrentamentos custaram a vida desde quinta-feira de 33 pessoas, todas civis, o que eleva para 63 mortos e mais de 1.700 feridos o balanço das vítimas desde o começo da crise em meados de março.

O primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva, que havia proposto em vão uma solução política há duas semanas, adotou agora uma posição mais dura.

Ele voltou a exigir neste domingo que os manifestantes se retirem, ameaçarando intensificar as operações militares.

O exército reforçou o cerco à zona ocupada pelos manifestantes, bloqueando seus acessos e impidiendo o abastecimento de água e de alimentos.

No entanto, as autoridades desistiram de impor o toque de recolher que o exército havia anunciado pela manhã. A decisão foi tomada por consideração das consequências nefastas que tal medida teria para os civis que moram na área.

Por sua parte, muitos manifestantes se declaram dispostos a enfrentar um eventual ataque geral dos militares, para o que levantaram barricadas com arame farpado, pneus encharcados de combustível e bambu, em torno de uma zona de vários quilômetros quadrados. Os mais decididos se dizem dispostos a "lutar até a morte".

As autoridades pediram este domingo à Cruz Vermelha que participe na evacuação dos manifestantes que desejarem abandonar a chamada 'zona vermelha', na qual se encontram cerca de seis mil pessoas.

Podem sair da região das manifestações "crianças, mulheres e idosos. Os homens também podem sair, mas têm que mostrar que não estão armados", declarou o porta-voz do exército, Sunsern Keaekumnerd.

Consciente de que se encontra num beco sem saída, um dos dirigenes dos 'camisas vermelhas', Jatuporn Prompan, fez um apelo ao rei Bhumibol Adulyadej, que é considerado a "única esperança" para encontrar uma solução pacífica para a crise.

O monarca de 82 anos está hospitalizado desde setembro e não se expressa publicamente sobre a crise desde que ela explodiu em março.

O rei não desempenha qualquer papel político oficial na Tailândia, mas tem sido uma força de estabilidade ao longo de suas seis décadas de reinado.

A escalada de violência dos últimos dias obrigiu as autoridades a adiar em uma semana o reinício das aulas previstas para esta segunda-feira.

As manifestações começaram por iniciativa dos pardiários do ex-primeiro-ministro no exílio, Thaksin Shinawatra, que consideram que o governo de Abhisit é ilegítimo e o acusam de servir às elites de Bangcoc.

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