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17/05/2010 - 15h18 / Atualizada 17/05/2010 - 15h30

Tema nuclear: Irã deixa a bola no campo das grandes potências

TEERÃ, 17 Mai 2010 (AFP) -O Irã, ameaçado com sanções internacionais por sua polêmica política nuclear, deixou a bola no campo dos ocidentais e da Rússia ao propor uma série de medidas para colocar um ponto final à crise com o apoio de Brasil e Turquia.

Os três países propuseram o envio de 1.200 quilos de urânio levemente enriquecido à Turquia, onde será armazenado até que as grandes potências entreguem ao Irã 120 quilos de combustível enriquecido em 20% necessários para o reator de pesquisas nucleares de Teerã.

Esta oferta foi apresentada como um gesto do Irã que tem como objetivo "iniciar uma dinâmica construtiva" para solucionar a crise nuclear iraniana, segundo o documento comum firmado pelos três países.

"O Irã, ao aceitar a proposta turca e brasileira, mostrou sua boa vontade. Agora, a bola está no campo dos ocidentais", comentou o chefe do programa nuclear iraniano Ali Akbar Salehi ao instar Estados Unidos, Rússia e França a "darem uma resposta adequada à oferta de cooperação do Irã".

O presidente Mahmud Ahmadinejad disse que "espera" que as grandes potências "aceitem discutir" a proposta iraniana.

No entanto, essa proposta responde apenas parcialmente à sugestão da comunidade internacional feita em outubro, sob os auspícios da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), rejeitada por Teerã e considerada "não negociável" em várias oportunidades pelos ocidentais.

A AIEA pedia que o Irã enviasse, como prova de boa vontade, 1.200 quilos de urânio (70% das reservas nessa época) à Rússia para que fossem enriquecidos em 20% antes de serem transformados pela França em combustível para o reator de Teerã.

Mas, desde então, o Irã duplicou suas reservas de urânio levemente enriquecido e também iniciou em fevereiro a produção de urânio altamente enriquecido (20%), escandalizando os ocidentais, que temem que Teerã tente obter a arma nuclear.

Os Estados Unidos ressaltaram em abril que a oferta da AIEA devia ser "atualizada" para levar em consideração as novas reservas e as novas capacidades de enriquecimento do Irã.

Uma opção descartada por Teerã, que indicou nesta segunda-feira que continuaria "enriquecendo urânio em 20%", aconteça o que acontecer.

"A proposta iraniana não atende, tecnicamente, ao objetivo da proposta da AIEA, que era obter uma pausa no programa nuclear iraniano para permitir negociações de fundo em um ambiente de confiança", considerou nesta segunda-feira um diplomata ocidental em Teerã consultado pela AFP.

No entanto, reconheceu, "vai ser difícil os ocidentais rejeitarem politicamente porque está co-firmada por Brasil e Turquia, duas potências emergentes influentes que o Irã parece ter unido em sua causa".

A partir desta mesma segunda-feira, ambos os países, membros do Conselho de Segurança, indicaram por meio de seus ministros das Relações Exteriores que "chegou o momento da diplomacia" e que "já não são necessárias sanções" contra o Irã.

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