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19/05/2010 - 12h30 / Atualizada 19/05/2010 - 13h41

Lula adverte para retrocesso caso ONU não negocie acordo com Irã

Em Madri (Espanha)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva advertiu nesta quarta-feira (19) para um retrocesso na questão nuclear iraniana se o Conselho de Segurança da ONU não tiver disposição para negociar a respeito depois do acordo tripartite de domingo sobre o enriquecimento de urânio.

"Agora depende do Conselho de Segurança da ONU sentar com disposição de negociar, porque se eles se sentarem sem querer negociar, tudo vai voltar atrás", afirmou Lula durante uma conferência sobre a economia brasileira em Madri.

 O presidente fez estas declarações um dia depois que uma resolução, promovida pelos Estados Unidos, foi submetida ao Conselho de Segurança com a previsão de reforço às sanções contra o Irã, apesar do plano turco-brasileiro apresentado na segunda-feira para permitir o enriquecimento de urânio iraniano no exterior.

O Brasil anunciou que não participará no debate sobre essas sanções porque existe uma nova situação, segundo a representante do Brasil ante a ONU, María Luiza Ribeiro Viotti.

Lula manifestou, além disso, que o Brasil e a Turquia, no acordo ao qual chegaram com o Irã, fizeram exatamente o que os Estados Unidos queriam fazer há cinco ou seis meses.

"Qual era o grande problema do Irã? Que ninguém podia sentar para negociar. O que queríamos era convencer o Irã de que deve assumir o compromisso com a Agência (Internacional de Energia Atômica, AIEA) e deveria negociar, deveria depositar seu urânio na Turquia: isso é o que foi acertado", explicou.

Na terça-feira, o chanceler brasileiro Celso Amorim declarou que o acordo tripartite "cria uma oportunidade para uma solução negociada e pacífica" para a questão iraniana.

O acordo assinado na segunda-feira em Teerã foi recebido com frieza por parte da comunidade internacional, que acredita que o Irã quer utilizar a energia nuclear para conseguir armas atômicas e nã para fns civis, como asseguram suas autoridades.

Por outro lado, Lula voltou a defender a reforma da ONU e alertou que "se a ONU continuar assim, vamos ter um sério problema", por isso defendeu "uma ONU fortalecida nos próximos 10 ou 15 anos".

"As Nações Unidas representam o mundo político de 1945, mas não o mundo político de 2010: tem que mudar, precisa levar em conta a existência de (...) outros continentes, há mais de 17 anos que estamos lutando por isso". Neste contexto, "o Brasil quer ser um ator global porque não concordamos com a atual governança mundial", argumentou.

"São necessários mais atores, mais negociações e mais disposição para dialogar", acrescentou.

O presidente Lula conclui nesta quarta-feira uma visita a Madri, onde participou na VI Cúpula entre a União Europeia (UE), a América Latina e o Caribe na terça-feira e na cúpula UE-Mercosul na segunda-feira, na qual as duas partes anunciaram que continuarão a negociacão de um acordo de liberalização do comércio.

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A ONU deve aplicar novas sanções contra o Irã?

França se esquiva de pedido do Brasil

A França não pode decidir sozinha sobre uma alteração do grupo 5+1, que tem mandato do Conselho de Segurança da ONU para negociar o programa nuclear iraniano, informou o ministério das Relações Exteriores do país, após o pedido do Brasil de ser incluído no grupo.

"Não corresponde a nós modificar a composição deste grupo, que recebeu um mandato da comunidade internacional", afirmou o porta-voz da chancelaria francesa, Bernard Valero, ao ser questionado sobre o pedido feito na terça-feira pelo Brasil.
"As sucessivas resoluções do Conselho de Segurança sobre o Irã destacaram e reafirmaram o papel do grupo 3+3 (mais conhecido como 5+1) e do Alto Representante (europeu) na busca por uma solução negociada com o Irã sobre o programa nuclear", disse Valero.

Irã diz que sanções não têm chances de passar

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, afirmou nesta quarta-feira que "não tem chances de passar" o esboço de resolução com novas sanções acertado no Conselho de Segurança da ONU pelas potências.

"Não há chance para uma nova resolução", disse Mottaki a jornalistas ao ser perguntado sobre o esboço com a nova resolução, que recebeu a aprovação dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança. "Não vamos levar isso à sério", afirmou sobre o esboço da resolução.

Mottaki estava na capital do Tadjiquistão para participar de uma reunião de chanceleres da Organização da Conferência Islâmica.

Também hoje, o  vice-presidente iraniano, Ali Akbar Salehi, disse que as grandes potências perdem credibilidade ao persistir com a ideia de novas sanções contra o Irã, apesar da oferta de Teerã de trocar combustível nuclear na Turquia, apoiada pelo Brasil.

"A questão das sanções ficou para trás", declarou Salehi, que também é presidente da Organização de Energia Atômica Iraniana.

O projeto de resolução contra o Irã apresentado na terça-feira na ONU "representa a última tentativa dos ocidentais", completou.
"Pela primeira vez sentem que os países emergentes podem defender seus direitos no cenário internacional sem a necessidade de recorrer às grandes potências, e é algo difícil de aceitar para eles", acrescentou Salehi.

O Irã negociou a proposta com Brasil e Turquia apenas. "Temos que ter paciência porque perdem credibilidade diante da opinião pública", completou.

*Com as agências internacionais 

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