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20/05/2010 - 15h03 / Atualizada 20/05/2010 - 15h10

Governo espanhol adota medidas de austeridade e a população se mobiliza

MADRI, 20 Mai 2010 (AFP) -Funcionários públicos da Espanha protestam nesta quinta-feira contra a redução de seus salários prevista no plano de austeridade que o governo deverá aprovar agora à tarde como forma de diminuir o déficit público, sob pressão dos mercados e dos parceiros europeus.

A convocação foi feita pelos sindicatos CCOO e UGT que mobilizaram seus filiados para um protesto diante dos prédios do governo em todo o país, no momento em que o conselho de ministros validar por decreto-lei o que consideram medidas impopulares de austeridade.

Pressionado pelos mercados e por seus sócios europeus, o presidente do governo socialista, José Luis Rodríguez Zapatero, anunciou na semana passada severos cortes nos gastos sociais, o que motivou descontentamento nos sindicatos e em parte da opinião pública.

O conselho de ministros aprovará, sobretudo, uma redução de 5% no salário dos funcionários públicos a partir de junho e congelará o reajuste automático das aposentadorias e pensões em 2011.

A Espanha, que tem um déficit público de 11,2% do PIB, com poucas perspectivas de crescimento, é um dos pontos fracos da zona do euro.

"A Espanha tem uma situação muito difícil porque está potencialmente envolvida" no plano de resgate de 750 bilhões de euros colocados à disposição para os Estados da zona do euro em dificuldades, declarou na quarta-feira o ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière.

Embora a Bolsa espanhola tenha registrado fortes quedas nas últimas semanas (o índice Ibex-35 perdeu mais de 20% desde o início de janeiro), a Espanha não tem dificuldades maiores para emitir sua dívida.

Nesta quinta-feira, o Tesouro colocou 3,52 bilhões de euros em obrigações para 10 anos, mais do que o máximo de 3,5 bilhões de euros esperados, a uma taxa relativamente razoável, de 4,04%.

Mas, na Espanha, o plano de austeridade acionado por Zapatero enfrenta grandes dificuldades.

Os sindicatos, com os quais sempre manteve boas relações desde que assumiu o poder em 2004, lamentaram uma "quebra" e uma guinada antissocial. Foi convocada uma greve geral de funcionários públicos para 8 de junho e os sindicatos não descartam que haja outra de todos os setores.

"Minha responsabilidade (...) é pensar no futuro do meu país, mais do que em qualquer outro futuro político e pessoal", declarou no domingo Rodríguez Zapatero, cujo plano de austeridade, que afetará principalmente a classe média, foi interpretado pela imprensa como uma espécie de suicídio político.

Isso acontece no momento em que os socialistas possuem apenas uma maioria relativa no Parlamento, que deverá validar daqui a um mês o decreto-lei.

Rodríguez Zapatero conseguiu até agora convencer os independentistas bascos e catalães para que o apoiem nos temas econômicos.

Mas se não conseguir desta vez e não conseguir votos da direita em nome do interesse nacional, uma grave crise política será desencadeada, com uma eventual moção de censura à vista.

Para tentar tranquilizar seu eleitorado, Rodríguez Zapatero anunciou na quarta-feira que estudava um aumento dos impostos para os mais ricos.

Zapatero "está nas mãos da direita econômica e política", denunciou nesta quinta-feira o líder dos ecomunistas da Esquerda Unida (EU), Cayo Lara.

O primeiro-ministro socialista português, José Socrates, com seu país em situação parecida à da Espanha, defendeu Rodríguez Zapatero na televisão pública.

Dizer que Zapatero traiu a esquerda "é uma visão infantil da esquerda". A "esquerda deve ser realista, e deve fazer com coragem tudo o que deve fazer para defender o financiamento da economia, o projeto Europa, para defender também a importância do projeto europeu", declarou.

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