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24/05/2010 - 17h10 / Atualizada 24/05/2010 - 17h19

Irã informa à AIEA sobre acordo feito com Brasil e Turquia

Viena, Áustria, 24 Mai 2010 (AFP) -O Irã notificou nesta segunda-feira a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena, do acordo a três estabelecido entre Irã, Brasil e Turquia, sobre a troca de urânio, informou o porta-voz da agência. Com a carta, Teerã pretende tranquilizar a comunidade internacional sobre seu programa atômico.

O documento, assinado pelo chefe da Organização de Energia Atômica iraniano, Ali Akbar Salehi foi entregue durante uma reunião na residência na Áustria do diretor geral da AIEA, o japonês Yukiya Amano.

Do encontro, de 40 minutos, participaram diplomatas brasileiros e turcos, países que são membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

Na carta entregue à AIEA, Teerã diz que "a República Islâmica do Irã avaliza o conteúdo da declaração tripartite (Irã-Turquia-Brasil) e afirma que seus diferentes artigos estão vinculados entre si e cada um contém uma importância particular", segundo extratos publicados pela agência de notícias iraniana IRNA.

O pacto entre Irã, Turquia e Brasil, de 17 de maio passado, foi assinado em Teerã durante visita do presidente brasileiro, Luiz Inacio Lula da Silva, e do chefe do governo turco, Recep Tayyip Erdogan. Prevê o intercâmbio na Turquia de 1.200 quilos de urânio enriquecido a 3,5% contra 120 quilos de combustível enriquecido a 20% repassado pelas grandes potências e destinado ao reator nuclear de pesquisa médica de Teerã.

"Esperamos da Agência, em conformidade com o artigo 6 da declaração, que informe ao grupo de Viena (Estados Unidos, Rusia, Francia) e nos transmita a resposta positiva do grupo (...) o que permitirá acertar detalhes das negociações sobre o intercâmbio de combustível", acrescentou Ali Akbar Salehi na carta.

Estados Unidos, Rússia e França propuseram em outubro de 2009 outro procedimento de intercâmbio de urânio ao qual o Irã não respondeu. Por sua vez, as grandes potências haviam rejeitado uma contraproposta iraniana de intercâmbio simultâneo no próprio Irã, de urânio levemente enriquecido contra combustível mais enriquecido fornecido por França e Rússia.

Desde a proposta, o número de centrífugas iranianas não para de aumentar, o mesmo acontecendo com o estoque de urânio levemente enriquecido, passando de 1.200 kg em outubro a cerca de 2.000 kg em fevereiro - data do último informe de inspeção da AIEA (o próximo é esperado para junho). Especialistas calculam que poderia alcançar, agora, 2.400 kg.

O presidente brasileiro, Luiz Inacio Lula da Silva, disse em seu programa de rádio que a carta entregue pelo Irã nesta segunda-feira à AIEA demonstra que Teerã começou a cumprir o compromisso subscrito no acordo nuclear estabelecido com o Brasil e a Turquia.

Para Lula, depois do envio da carta, "virão as conversações com a agência da ONU, o depósito de urânio na Turquia e o prazo para que o Irã receba o combustível enriquecido. Se tudo isso acontecer, significa o cumprimento da primeira parte de nosso acordo (...)"

A Turquia qualificou por sua vez a notícia de "passo significativo".

Para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o acordo de troca de urânio aceito pelo Irã, se for concedido pela AIEA, pode representar uma importante medida de confiança que poderá abrir caminho para uma solução negociada da questão nuclear iraniana, considerou.

Ele ressaltou que esse acordo deveria agora ser estudado pela AIEA e pelas outras partes envolvidas, ou seja, o Conselho de Segurança da ONU.

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