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24/05/2010 - 16h19 / Atualizada 24/05/2010 - 16h30

Justiça iraniana liberta sob fiança o cineasta Jafar Panahi

Teerã, Irã, 24 Mai 2010 (AFP) -A justiça iraniana ordenou a libertação sob fiança do cineasta Jafar Panahi, detido desde o dia 1 de março e que não pôde participar como membro do juri do Festival de Cannes, que terminou no último domingo, informou nesta segunda-feira o procurador-geral de Teerã, Abbas Jafari Dolatabadi.

"Em um encontro (com Panahi) na quinta-feira na prisão de Evin, seu pedido de libertação foi examinado e aceito", declarou o procurador, citado pela agência de notícias ISNA.

"Foi decidido que ficaria livre após o pagamento de fiança. Agora, os procedimentos judiciais e administrativos estão em curso", acrescentou.

Durante a premiação de Cannes, Juliette Binoche, eleita a melhor atriz do Festival, levantou um cartaz pedindo a libertação do cineasta iraniano, e antes disso, na semana anterior, o cineasta afirmou ser inocente através de uma carta.

"Sou inocente. Não fiz nenhum filme contra o regime iraniano", disse na mensagem.

Impedido de integrar o júri do Festival, o cineasta mandou na ocasião "calorosos abraços de minha pequena e escura cela na prisão de Evin", cumprimentando aqueles que "junto com minha mulher, minhas crianças e conterrâneos vieram me visitar no lado de fora e estão trabalhando para que eu seja libertado".

Panahi, de 49 anos, é conhecido pela corajosa crítica social de seus filmes, tais como "O Círculo", que lhe rendeu o Leão de Ouro do Festival de Veneza, em 2000, "Ouro Carmim" e "Fora do Jogo", ganhador, em 2006, do Urso de Prata do Festival de Berlim.

Em fevereiro passado, as autoridades proibiram Panahi de deixar o país para participar do Festival de Berlim.

E em março, o diretor de cinema premiado foi detido porque, segundo o ministério da Cultura e Orientação Islâmica, estava fazendo um filme contra o regime.

No entanto, a esposa de Panahi, Tahereh Saeedi negou, em entrevista à AFP, que seu marido estivesse participando de produção contrarrevolucionária sobre eventos pós-eleitorais, em referência às manifestações que se seguiram à reeleição contestada do presidente Ahmadinejad em junho de 2009.

"O filme estava sendo rodado dentro de casa e não tinha nada a ver com o regime", disse Saeedi na ocasião.

Simpatizante do movimento oposicionista, Panahi foi preso depois que forças de segurança fizeram uma incursão em sua casa, em Teerã, em 1º de março.

Cinquenta cineastas e artistas iranianos assinaram uma carta, em meados daquele mês, instando as autoridades a libertá-lo.

A França, através dos ministros Bernard Kouchner (Relações Exteriores) e Frédéric Mitterrand (Cultura), pediu nas últimas semanas sua "libertação imediata", assim como havia feito a Anistia Internacional anteriormente.

Além de Juliette Binoche, Jafar Panahi recebeu o apoio de cineastas franceses e de grandes figuras de Hollywood, entre elas Steven Spielberg e Martin Scorsese.

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