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28/05/2010 - 11h42 / Atualizada 28/05/2010 - 12h04

Ataques a mesquitas no Paquistão deixam ao menos 80 mortos

LAHORE, Paquistão, 28 Mai 2010 (AFP) -Homens armados usando cinturões explosivos atacaram duas mesquitas de uma minoria religiosa em Lahore, no Paquistão, levando carnificina à sexta-feira de orações dos muçulmanos e matando ao menos 80 pessoas, informaram fontes oficiais.

Os homens entraram nas mesquitas atirando, lançando granadas e tomando reféns, no maior ataque mortífero contra a segunda maior cidade do Paquistão - que vem sendo amplamente atingida pela violência de Talibã e Al-Qaeda.

As duas mesquitas pertencem à comunidade ahmadi, também conhecida como Qadiani, que tem em torno de 10.000 de membros.

Líderes da comunidade paquistanesa afirmam que vêm recebendo ameaças em Lahore há mais de um ano.

"Os terroristas atacaram as mesquitas. Atiraram e usaram granadas. Tomaram pessoas como reféns", afirmou o oficial da Defesa Civil, Muzhar Ahmed, à AFP, que estava no bairro de Garhi Shahu quando ocorreu o ataque.

Os ataques geraram mais de duas horas de tiroteios com a polícia, enquanto veículos dos serviços de emergência corriam pelas ruas para tentar resgatar as vítimas.

Quando os ataques cessaram em ambas as mesquitas, oficiais descreveram as cenas da carnificina - particularmente em Garhi Shahu.

"Ao menos 80 pessoas foram mortas nos dois ataques", disse Sajjad Bhutta, chefe da administração da municipalidade de Lahore.

Rizwan Nasir, chefe dos serviços de resgate em Lahore, afirmou que 108 pessoas ficaram feridas, e a polícia continua à procura dos criminosos.

O chefe da defesa civil, Muzhar Ahmed, afirmou anteriormente à AFP que o número de mortos era de 64.

"Nós já retiramos 42 corpos de Garhi Shahu até agora, e mais estão vindo", afirmou. Outras 22 pessoas morreram em Model Town, disse.

Os ataques desta sexta-feira foram os piores cometidos no Paquistão desde 12 de março, quando ataques suicidas mataram 57 pessoas em Lahore. Os alvos eram militares paquistaneses, que lutam contra o Talibã no nordeste do país.

Nove ataques no último ano mataram em torno de 265 pessoas em Lahore, uma cidade histórica dominada pela elite e sede de diversas importantes bases militares do Paquistão, inclusive da inteligência.

A polícia que estava na mesquita ahmedi em Model Town afirmou que o ataque foi cometido por três pessoas.

"Eles entraram na mesquisa pelas portas de trás e começaram a atirar. Estavam armados com granadas, cinturões explosivos e outras armas", disse à AFP Rana Ayaz, uma policial local.

De acordo com a polícia, um dos homens explodiu e outros dois foram presos - sendo um deles um adolescente. O outro ficou seriamente ferido.

Ataques ligados ao Talibã e à Al-Qaeda têm atingido a cidade de 8 milhões de habitantes próxima à fronteira com a Índia, como parte de uma campanha de violência que já matou mais de 3.300 pessoas em três anos no Paquistão.

O primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gilani, condenou fortemente os ataques, expressando "forte tristeza e pesar com a perda dessas vidas preciosas".

A comunidade ahmadi foi fundada por Ghulam Ahmad, que nasceu em 1838, e tem visões diferentes das dos muçulmanos ortodoxos, considerando diversos profetas, entre eles o próprio Ahmad.

A violência religiosa no Paquistão, principalmente entre a maioria sunita e a minoria xiita, matou mais de 4.000 pessoas na última década.

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