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28/05/2010 - 16h28 / Atualizada 28/05/2010 - 17h02

Polêmica Brasil-EUA ofusca Fórum das Civilizações

Rio de Janeiro, 28 Mai 2010 (AFP) -O tema 'Interligando culturas, construindo a paz' ficou em segundo plano na abertura das atividades do III Fórum da Aliança das Civilizações, nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, ofuscado pela polêmica criada pela crescente tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos em torno da questão nuclear iraniana.

Durante a sessão inaugural, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou que a missão da Aliança das Civilizações é "enfrentar preconceitos e desentendimentos, buscando maneiras de construir comunidades baseadas na convivência pacífica, na confiança e no respeito mútuo".

O Fórum das Civilizações, que em sua terceira edição conta com 3.500 participantes, propõe-se a expor ideias inovadoras no âmbito do desenvolvimento e da cooperação internacional, além de debater questões ligadas à globalização, como a integração de sociedades multiculturais e o papel de líderes religiosos na promoção da paz.

"Como construir sociedades inclusivas? Como fortalecer a educação e dar poder às mulheres? Como abafar a música tentadora que desvia os jovens para o extremismo?", indagou Ban, pontuando alguns dos principais temas levantados pelo encontro que, além das plenárias com autoridades, tem programada uma série de mesas de discussão.

No entanto, o que mais chamou a atenção nos discursos foi o tom duro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, em relação aos Estados Unidos, em referências mais ou menos veladas à crise nuclear com o Irã.

Falando para uma plateia formada por autoridades e representantes dos 119 países que participam do fórum, Lula fez duras críticas à atitude dos Estados Unidos, condenando aqueles que utilizam "teses sobre uma suposta fratura de civilizações como pretexto para ações bélicas, ditas preventivas".

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, que também discursou na abertura do fórum, demonstrou estar em sintonia com o presidente brasileiro, fazendo críticas ao "egocentrismo" daqueles que "subestimam sociedades" regidas por paradigmas diferentes.

"Aqueles que acreditam que o mundo é feito para seu benefício próprio não compreendem a dinâmica da integração", disse o primeiro-ministro turco. É muito errado impor seus valores e seu julgamento aos outros".

Os presidentes Evo Morales, da Bolívia, e Cristina Kirchner, da Argentina, também presentes ao encontro, fizeram discursos mais próximos da temática do fórum.

Morales disse que "a civilização não se faz com balas nem com bases militares", destacando que "não existem civilizações superiores".

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