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28/05/2010 - 21h18 / Atualizada 28/05/2010 - 21h31

Polícia faz batida para obter DNA de filhos adotivos de dona do Clarín

BUENOS AIRES, Argentina, 28 Mai 2010 (AFP) -A casa dos dois filhos adotivos de Ernestina de Noble, dona do poderoso grupo de multimídia Clarín, foi vasculhada nesta sexta-feira para o recolhimento de amostras de DNA que determinem se são filhos de desaparecidos na ditadura argentina (1976-83), informou uma fonte judicial.

A operação, na qual foram coletados objetos que poderão servir para revelar o padrão genético de Marcela e Felipe Noble Herrera, foi realizada por ordem judicial, após a negativa dos jovens de realizar um exame de sangue.

A justiça busca comparar o DNA de ambos com as amostras armazenadas no Banco Nacional de Dados Genéticos que correspondem aos de familiares de desaparecidos.

Na batida foram recolhidos diferentes objetos que poderão servir para extrair o material genético, informou a fonte, que pediu para não ser identificada.

As Avós da Praça de Maio consideram que os dois jovens, adotados em 1976, são filhos de desaparecidos nascidos no cativeiro de suas mães no regime militar.

As Avós da Praça de Maio já restituíram a identidade de uma centena de filhos de presos políticos adotados durante o regime militar, em um total de 500 casos estimados.

O Congresso argentino aprovou em novembro passado uma lei que permite que, ante uma suspeita de que alguém possa ser filho de desaparecido, a justiça pode exigir a obtenção de amostras de DNA para comprovar, seja voluntária ou compulsóriamente, ainda que "do modo menos lesivo e sem afetar o pudor".

No caso de Ernestina de Noble, do Clarín, as principais suspeitas recaem sobre sua filha Marcela, que, segundo o engenheiro mecânico Carlos Miranda, seria na realidade Matilde, filha de sua irmã, Amelia, e de seu cunhado, Roberto Lanuscú - militante do grupo cristão-nacionalista Montoneros.

Já uma outra família, Gualdero-García, considera que Marcela seja sua neta. Outras 20 famílias possuem filhas desaparecidas que estavam perto de dar à luz nas datas próximas ao nascimento de Felipe e Marcela.

A primeira adoção teria sido a de Marcela, em maio de 1976. Segundo a proprietária do Clarín, a criança foi encontrada em uma caixa diante da porta de sua casa. Em julho desse mesmo ano, Ernestina também pediu a adoção de um menino, Felipe, filho de uma mulher que teria entregue a criança a ela.

Ela chegou a ser detida em 2002 por ordem do juiz Roberto Marquevich, que suspeitava de adoção ilegal de desaparecidos políticos; mas foi libertada depois de alegar que sofria graves problemas de saúde.

Ernestina Herrera de Noble assumiu o controle do Clarín quando seu marido, Roberto Noble, morreu em 1969. O jornal - fundado no início dos anos 50 sob proteção do então presidente Juan Domingo Perón - não para de crescer. Nos anos 70 e 80, passou à frente de jornais tradicionais concorrentes, como o La Nación.

Atualmente, o grupo controlado por Ernestina ampliou sua presença no mercado argentino adquirindo canais de televisão e emissoras de rádio.

Durante o regime militar, cerca de 30 mil pessoas desapareceram, segundo organismos de direitos humanos.

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