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28/05/2010 - 14h32 / Atualizada 28/05/2010 - 14h39

Sarkozy marca um ponto na batalha dos aposentados

PARIS, 28 Mai 2010 (AFP) -O presidente francês Nicolas Sarkozy marcou um ponto na disputa contra a esquerda e os sindicatos, depois de uma mobilização mais fraca do que era esperada na manifestação contra a reforma dos aposentados, maior projeto do fim de seu mandato com o qual ele espera se relançar às eleições presidenciais de 2012.

"Sarkozy em vantagem" admitia nesta sexta-feira o jornal de esquerda Libération enquanto que para Le Figaro, de direita, "a fraca mobilização abre caminho" para mudanças na idade legal da aposentadoria de 60 anos, conquista social emblemática acordada, em 1983, pelo governo socialista do presidente François Mitterrand.

Alegando a presença de um milhão de manifestantes (400 mil, segundo a polícia) na quinta-feira nas ruas da França, os sindicatos afirmam ter atingido seu objetivo. Entretanto, eles não conseguiram repetir o feito do inverno europeu de 2009 (2,5 à 3 milhões de manifestantes de acordo com a central CGT) quando protestaram sobre emprego e poder de compra, em plena crise financeira.

Apesar de a maioria dos franceses se dizerem apegados à aposentadoria aos 60 anos, segundo as pesquisas, "eles tomaram consciência de que o sistema não é mais viável", estimou Bruno Jeanbart, cientista político do Instituto de Pesquisas Opinionway. Além disso, "com o que aconteceu na Grécia, as pessoas estão mais sensíveis à questão dos déficits públicos".

"Enfim, existem interesses diferentes nas categorias da população. Para os jovens que têm problemas para conseguir empregos, a aposentadoria parece mais uma promessa ilusória do que uma realidade", acrescentou. E o governo excluiu da reforma os agentes dos serviços públicos de transportes, que têm os sindicatos mais organizados capazes de paralizar o país.

A posição da esquerda está tão desconfortável quando dividida na questão da reforma previdenciária, entre seus dois candidatos à presidência francesa. Ao contrário de Martine Aubry, o diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, preferido das sondagens, estimou que a aposentadoria aos 60 anos não deve ser um "dogma".

Nicolas Sarkozy ainda recebeu nesta sexta-feira um impulso extra, com a designação da França para organizar o campeonato europeu de futebol de 2016.

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