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29/05/2010 - 10h48 / Atualizada 29/05/2010 - 10h50

Colômbia vai às urnas votar entre o 'uribismo' e a mudança

Bogota, Colômbia, 29 Mai 2010 (AFP) -Os colombianos vão às urnas neste domingo no primeiro turno das eleições presidenciais caracterizadas por uma disputa intensa entre o governista Juan Manuel Santos e o ex-prefeito de Bogotá (1995-1997 e 2001-2003), Antanas Mockus.

Depois de oito anos de governo do direitista Alvaro Uribe, os colombianos devem decidir se dão continuidade ao "uribismo" com seu ex-ministro da Defesa (2006-2009) Santos, ou se favorecem a mudança encarnada por Mockus.

Os dois estariam tecnicamente empatados, segundo as pesquisas que preveem, no entanto, um segundo turno no dia 20 de junho, uma vez que nenhum obteria mais de 50% dos votos agora, no domingo.

Entre os nove aspirantes à presidência, só Santos e Mockus conseguiriam mais de 30% dos votos cada um; os demais, individualmente, não obteriam 6% das intenções.

Nenhum candidato atreveu-se a criticar a política atual de combate frontal à guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a mais reconhecida de Uribe, que deixará o governo com um índice de popularidade de cerca de 70%.

Uribe conseguiu encurralar a guerrilha nas zonas rurais e na selva, embora os confrontos prossigam.

Como ministro da Defesa, Santos tem, entre seus feitos, vários golpes contundentes às Farc, como a "Operación Jaque", Operação Xeque-Mate, durante a qual, em 2008, foram resgatados 15 dos reféns mais valiosos da guerrilha, entre eles a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e três americanos.

"Escolhemos a firmeza em vez da ambiguidade. Os colombianos sabem que comigo poderão dormir tranquilos", repetiu Santos insistentemente, ao "defender o legado de Uribe, o melhor presidente que a Colômbia já teve".

No entanto, apesar dessa firmeza, vem sendo atacado por denúncias sobre violações aos direitos humanos, em particular pelo escândalo dos chamados "falsos positivos" - as execuções extrajudiciais de civis apresentados como guerrilheiros abatidos em combate por militares, que buscavam obter recompensas.

Mockus, um professor universitário, matemático e filósofo célebre pelas excentricidades, como ter abaixado as calças diante de um grupo de estudantes ou ter levado para o casamento um elefante de circo, tem um discurso de defesa da legalidade, recusando-se com firmeza a negociar com as Farc.

"Não se pode negociar com a guerrilha enquando mantiver pessoas como reféns", destaca.

A ascensão de Mockus nas pesquisas foi vertiginosa nos dois últimos meses, durante os quais passou de menos 10% a mais de 30% para o primeiro turno.

Prega o valor da educação, as promoções pelo mérito e defende a transparência, o respeito aos direitos humanos e a legalidade.

"A vida é sagrada", diz Mockus, dirigindo-se a um país de 46 milhões de habitantes, principal produtor mundial de cocaína, e no qual 17.000 pessoas foram assassinadas em 2009.

Santos mostra-se preparado para as funções de Estado depois do desempenho como ministro de Comércio Exterior, Fazenda e Defesa.

Apresenta-se como o candidato da continuidade, especialmente em relação à segurança e à economia - quer atrair investimentos estrangeiros.

Promete, também, que se concentrará na criação de pelo menos 2,5 milhões de empregos, num país em que os indicadores sociais não são dos melhores: taxa de desemprego de cerca de 13% e de pobreza, 46%.

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