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31/05/2010 - 13h48 / Atualizada 31/05/2010 - 14h19

Ataque à frota humanitária complica ainda mais as relações entre Israel e Turquia

ANCARA, 31 Mai 2010 (AFP) -As relações entre Turquia e Israel, que já foram aliados estratégicos, estão em seu pior nível após o ataque israelense à frota de ajuda aos palestinos em Gaza, entre eles um navio turco: o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan acusou Israel de ter cometido um ato de terrorismo de Estado e caracterizou a ordem de atacar como uma 'ação desumana".

"Deveriam saber que não ficaremos calados e sem responder diante desse desumano ato de terrorismo de Estado", afirmou Erdogan, acrescentando que seu país vai solicitar que a Otan convoque uma reunião de urgência para tratar do assunto.

"O direito internacional foi pisoteado", afirmou ainda. "O ataque demonstra que Israel não quer a paz em sua região".

Ancara também convocou seu embaixador em Israel e pediu uma reunião de urgência da ONU.

"Nosso embaixador em Israel foi convocado a Ancara", declarou o vice-primeiro-ministro turco, Bulent Arinc, algumas horas depois do ataque das forças israelenses.

Arinc anunciou também que os preparativos para três manobras militares conjuntas com Israel haviam sido cancelados. Ele confirmou que a Turquia havia solicitado uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU.

Essa operação mortal "pode ter consequências irreparáveis em nossas relações bilaterais", advertiu anteriormente ao Ministério das Relações Exteriores, para onde o embaixador israelense, Gabby Levy, foi convocado para uma reunião de vinte minutos.

Arinc teve uma reunião de urgência com o ministro do Interior, chefe da Marinha e chefe das operações militares. Ele declarou que o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan encurtará uma visita ao Chile.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, o general Ilker Basbug, interrompeu uma visita ao Egito após o ataque e também em razão de um atentado contra uma base naval turca.

Em Istambul, cerca de 10.000 manifestantes se reuniram aos gritos de "Morte a Israel" na Praça Taksim, principal da capital, queimando bandeiras israelenses.

Cerca de 400 manifestantes haviam se reunido mais cedo diante o consulado israelense, e mais de mil na residência do embaixador israelense, em Ancara.

Uma autoridade da organização humanitária turca, a IHH, indicou ter recebido imagens de vídeo do navio turco Mavi Marmara, no litoral de Gaza, que mostram "feridos reunidos no navio como um rebanho de carneiros".

"Recebemos informações dizendo que uma pessoa morreu em consequência de um ferimento à bala na cabeça e uma outra, por causa de vários ferimentos. Não conseguimos identificá-las", declarou Veysel Basar, citado pela Anatólia.

Oitocentas pessoas estavam a bordo do Mavi Marmara, entre elas mulheres e um bebê de seis meses, segundo ele.

Membros de organizações humanitárias turcas afirmaram que várias vítimas do ataque israelense tinham nacionalidade turca.

As relações entre Turquia e Israel, marcadas pela assinatura em 1996 de um acordo de cooperação militar, se degradaram bastanter desde a operação israelense em Gaza no final de 2008, e as veementes críticas a Israel feitas por Erdogan, que lidera um governo oriundo do movimento islâmico.

Em janeiro, o embaixador da Turquia em Israel foi humilhado em público no Ministério das Relações Exteriores, e em abril, Erdogan atacou Israel, classificando este país de "principal ameaça à paz" no Oriente Médio.

A tensão entre os dois países acentuou-se quando Turquia e Brasil assinaram um acordo nuclear com o Irã, país que os ocidentais suspeitam que queira obter a arma nuclear. Esse acordo assinado no dia de 17 de maio foi classificado de "impostura" pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

Para o analista turco Sedat Laciner, do centro de estudos USAK, o ataque israelense "representa um ato deliberado de vingança contra a Turquia, por sua atitude em relação a Gaza e ao Irã."

Mais geralmente, Israel vê com maus olhos a evolução espetacular das relações entre a Turquia e os país árabes ou muçulmanos, Irã, Iraque, países do Golfo e, sobretudo, a Síria.

Em 2008, a Turquia havia atuado como mediadora entre Síria e Israel, mas esse processo foi cortado quando Ancara condenou a ofensiva israelense em Gaza.

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