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31/05/2010 - 20h28 / Atualizada 31/05/2010 - 21h17

Ataque israelense contra frota em Gaza causa comoção internacional

ashdod, Israel, 31 Mai 2010 (AFP) -Comandos da Marinha israelense atacaram nesta segunda-feira uma frota de ajuda humanitária internacional que se dirigia a Gaza, deixando pelo menos nove mortos, e provocando uma avalanche de críticas da comunidade internacional à Israel.

O ataque ocorreu em águas internacionais contra a frota que queria forçar o bloqueio imposto desde 2007 por Israel à Faixa de Gaza.

Segundo o Exército israelense, nove passageiros foram mortos e pelo menos sete soldados ficaram feridos, dois em estado grave, durante os episódios de violência, que se limitaram ao barco turco "Mavi Marmara". Uma ONG turca em Gaza falou de pelo menos 15 mortos, turcos na maioria.

Entre os ativistas da "frota da liberdade" estava a cineasta brasileira Iara Lee, que foi detida pelas autoridades israelenses e será deportada.

"Iara Lee está em boas condições de saúde e recusou a opção de deixar o país voluntariamente. Neste momento está com as autoridades israelenses aguardando ser deportada", informou a embaixada de Israel no Brasil.

O incidente com a frota obrigou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a interromper uma visita ao Canadá e aos Estados Unidos, onde iria se reunir com o presidente Barack Obama na terça-feira.

Em Ottawa, Netanyahu ressaltou que "lamenta" as perdas de vidas humanas, mas declarou que os soldados israelenses "tiveram que defender suas vidas".

Durante uma conversa por telefone com Netanyahu, Obama pediu que sejam reveladas "o mais rápido possível" as circunstâncias exatas da abordagem e "lamentou profundamente" as perdas de vidas humanas.

O Conselho de Segurança da ONU se reuniu com urgência para debater a intervenção israelense contra os seis navios que transportavam centenas de militantes pró-palestinos e toneladas de ajuda para Gaza.

Durante o debate público, o chefe da diplomacia turca, Ahmet Davutoglu, afirmou que Israel, que já foi um aliado estratégico de Ancara, "perdeu toda a legitimidade internacional", enquanto o representante de Israel na ONU, Daniel Carmon, acusou a frota de não ter "nada de missão humanitária".

A Turquia, que tem vários cidadãos entre as vítimas, acusou Israel de "terrorismo de Estado" e convocou seu embaixador em Tel-Aviv. O Estado hebreu pediu a seus cidadãos que não viajem à Turquia.

As autoridades israelenses, que haviam anunciado sua intenção de bloquear a "frota da liberdade" mesmo com o uso da força, acusaram os organizadores de terem "desencadeado a violência" a bordo do 'ferry' turco Mavi Marmara. Mas estes garantem que os comandos abriram fogo sem justificativa.

Imagens gravadas no Mavi Marmara mostram comandos vestidos de preto descendo de um helicóptero para o navio, depois confrontos com militantes a bordo, além de pessoas feridas caídas no convés.

"Amparados pela escuridão, os comandos israelenses desceram de helicópteros sobre o barco turco e começaram a atirar no momento em que seus pés tocaram o convés", segundo uma declaração divulgada no site do movimento Free Gaza.

"Fizemos todos os esforços possíveis para evitar esse incidente. Os militares tinham recebido instruções para que agissem como em uma operação de polícia e com o máximo de cautela", disse o porta-voz de Netanyahu, Mark Regev.

"Infelizmente, eles foram atacados com extrema violência pelas pessoas no barco, com barras de ferro, facas e tiros", ressaltou.

O chefe do Estado-Maior israelense, general Gaby Ashkenazi, afirmou que houve uma violenta explosão quando suas forças chegaram a bordo. "Foi premeditado, e havia armas, barras de ferro, facas, e, em um certo momento, armas de fogo talvez tenham sido usadas contra os soldados".

Mas o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan afirmou que os barcos tinham sido "rigidamente revistados" e que não continham nada além "de ajuda humanitária" e de "voluntários civis".

Após o ataque, os seis barcos foram encaminhados sob escolta para o porto de Ashdod (sul de Israel).

Oitenta e três ativistas são mantidos presos até o momento, sendo que 25 aceitaram ser expulsos, segundo a Polícia de Imigração. "Os outros vão para a prisão", afirmou, acrescentando que "outras centenas" de prisões estavam sendo esperadas durante a noite.

Para evitar eventuais "desordens" na terça-feira nas cidades árabes-israelenses, a polícia aumentou seu nível de alerta após a convocação de uma jornada de greve e de manifestações.

O movimento islâmico Hamas, no poder em Gaza, pediu que árabes e muçulmanos façam um "levante" diante das embaixadas de Israel, enquanto que o presidente palestino, Mahmud Abbas, decretou três dias de luto na Cisjordânia e em Gaza, pedindo que os responsáveis pelo ataque "bárbaro" respondam diante da justiça internacional como "criminosos de guerra".

Várias manifestações de protesto contra o Estado hebreu foram realizadas na Jordânia, no Líbano, no Egito, no Irã, em Gaza, no Iraque e na Turquia, assim como em várias cidades europeias.

A ONU se disse "chocada" com o ataque e a União Europeia condenou "o uso da violência", exigindo uma "investigação completa". Os embaixadores israelenses em vários países ocidentais e árabes foram convocados.

O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu "ação" e "uma declaração forte" das Nações Unidas ante o ataque militar.

Uma reunião especial da Otan está prevista para terça-feira a pedido de Ancara, assim como uma reunião extraordinária da Liga Árabe.

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