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02/06/2010 - 07h42 / Atualizada 02/06/2010 - 07h53

Premiê japonês renuncia depois de nove meses no poder

TÓQUIO, 2 Jun 2010 (AFP) -O primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, anunciou oficialmente nesta quarta-feira sua demissão depois de alcançar impressionantes níveis de impopularidade em menos de nove meses à frente do país, devido, em parte, a sua desastrosa gestão do traslado de uma base militar americana.

Hatoyama é o quarto chefe de Governo japonês que interrompe seu mandato e menos de quatro anos.

Em uma reunião dos principais dirigentes de sua formação, o Partido Democrata do Japão (PDJ), Hatoyama, de 63 anos, também declarou que pediu a demissão do secretário-geral do partido, o todo-poderoso Ichiro Ozawa, envolvido com a justiça por um financiamento suspeito.

"O trabalho do governo não foi compreendido pelo público. Perdemos sua atenção", admitiu, citando os motivos para sua renúncia: a gestão desastrosa da transferência da base americana de Futenma, na ilha de Okinawa (sul), e os escândalos de financiamento oculto que também atingiram seus assessores.

O partido deve eleger o sucessor de Hatoyama na sexta-feira. O atual vice-primeiro-ministro e titular das Finanças, Naoto Kan, de 63 anos, parece ser o candidato com maior possibilidade.

Na quarta-feira, Kan se reuniu com Hatoyama e, segundo a imprensa, comunicou sua intenção de apresentar-se à sucessão.

O novo PDJ se reunirá para eleger seu novo presidente, que será submetido à votação em ambas as câmaras parlamentares ainda na sexta-feira. Na segunda, espera-se que o novo primeiro-ministro apresente sua política e seu novo gabinete.

Hatoyama deixa um país que, graças ao dinamismo chinês e às medidas adotadas pelo governo conservador anterior, conseguiu sair da recessão em 2008 e 2009, mas que carece de um projeto econômico e se encontra debilitado pela deflação, segundo os analistas.

A Bolsa de Tóquio cedeu 1,12% depois do anúncio da demissão.

A pressão aumentava há dias em torno de Hatoyama, cuja popularidade, que no início do mandato era de 70%, estava abaixo dos 20% de opiniões favoráveis.

Vários dirigentes reclamavam sua demissão para preservar as possibilidades dos candidatos da maioria nas eleições senatoriais de 11 de julho.

Herdeiro de uma rica dinastia político-industrial comparada geralmente aos Kennedy, Hatoyama ganhou as eleições legislativas de agosto passado, que puseram fim a mais de meio século de domínio conservador, e era primeiro-ministro desde 16 de setembro.

A maior crítica dos japoneses é o fato de ter quebrado sua promessa eleitoral de retirar a base Futenma de Okinawa.

Esta renúncia abalou a coalizão governamental tripartite de centro-esquerda formada pelo PDJ e duas formações menores. O Partido Social-Democrata (PSD), oposto à manutenção da base, abandonou o governo na sexta-feira e passou para a oposição.

"A cooperação entre o Japão e os Estados Unidos é indispensável para a paz e a segurança na Ásia do Leste e me vi obrigado a pedir aos habitantes de Okinawa, sentindo muito, que suportem este peso", havia dito.

Aludindo às transferências ilícitas de dinheiro na política, Hatoyama destacou a necessidade de "reconstruir um PDJ mais limpo, voltar ao PDJ em que o povo possa confiar".

Dois ex-assessores de Hatoyama foram processados por financiamento oculto no final de 2009, mas a justiça afirmou que ele não estava a par das malversações.

Ozawa, de 67 anos, considerado a eminência parda do PDJ, também esteve envolvido com a justiça várias vezes, sem chegar a ser processado.

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