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02/06/2010 - 08h16 / Atualizada 02/06/2010 - 09h23

Talibãs lançam ataque contra a "jirga da paz" no Afeganistão

CABUL, 2 Jun 2010 (AFP) -Os talibãs lançaram nesta quarta-feira ataques com foguetes e armas leves durante a inauguração, em Cabul, da "jirga de paz", que reúne 1.600 representantes das tribos e da sociedade civil afegãs para debater meios de acabar com a insurreição no país.

Dois camicases morreram e outro foi capturado, enquanto que duas pessoas sofreram ferimentos causados pelos foguetes.

Os trabalhos da "jirga" - uma assembleia consultiva tradicional reunida sob uma enorme tenta em uma universidade da capital- não se viram perturbados.

Um fotógrafo da AFP constatou que, no total, cinco foguetes explodiram, um deles perto do campus da Universidade Politécnica, onde a "jirga" é realizada, e os demais não muito longe do prédio da instituição.

As primeiras explosões aconteceram quando o presidente Hamid Karzai pronunciava seu discurso de abertura. O chefe de Estado convocou esta "jirga" numa tentativa de levar os talibãs à mesa de negociações.

Depois da primeira explosão, Karzai interrompeu brevemente o discurso e ironizou: "Alguém tentou lançar um foguete. Não tenham medo, vamos prosseguir", afirmou, sendo aplaudido pela plateia.

Pouco depois, em uma ligação à AFP, os talibãs reivindicaram o ataque.

"Quatro camicases subiram no alto de um imóvel perto da tenda", contou Zabihulá Mujahid, porta-voz dos talibãs, indicando que seus homens usavam foguetes e armas leves, além de portar cinturões explosivos.

Anteriormente, o porta-voz do ministério do interior informou que a polícia tinha cercado os "terroristas" entrincheirados em uma casa perto da universidade.

Os talibãs, que denunciaram a "jirga" como um instrumento de "propaganda das forças de invasão", multiplicaram nos últimos dois anos os ataques suicidas e com comandos no coração de Cabul, apesar de a capital ter adotado medidas de segurança, com a presença de milhares de soldados estrangeiros, assim como policiais e militares afegãos.

Para proteger a "jirga", as autoridades mobilizaram mais 12.000 membros das forças de segurança.

A sessão teve início com uma leitura do Corão ante os 1.600 representantes de etnias, tribos, poderes locais e ONGs, assim como diplomatas estrangeiros.

Esta assembleia tradicional é a terceira que se celebra desde a queda dos talibãs em 2001, depois da invasão do país por forças aliadas dirigidas pelos Estados Unidos.

As assembleias precedentes dotaram o país de um líder provisório - Hamid Karzai, depois eleito duas vezes como presidente - e de uma Constituição.

A "Jirga consultiva nacional da paz" pretende desta vez discutir as medidas necessárias para que o país saia de uma violenta guerra, que cobra a vida todos os anos de um número crescente de civis e militares.

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