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04/06/2010 - 09h15 / Atualizada 04/06/2010 - 09h16

Naoto Kan, de militante de esquerda a defensor do rigor orçamentário

TÓQUIO, 4 Jun 2010 (AFP) -O novo primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, é um ex-militante da esquerda convertido em partidário do rigor orçamentário e conhecido por seu temperamento forte, um perfil atípico no universo político japonês.

Ao contrário da maioria de seus predecessores, membros de verdadeiras dinastias de dirigentes do Japão, Kan, que nasceu há 63 anos na prefeitura de Yamaguchi (oeste da grande ilha de Honshu), não provém de uma família de políticos: seu pai era diretor de uma fábrica.

Em 1968, quando realizava estudos de física aplicada no Instituto de Tecnologia de Tóquio, foi um dos líderes dos movimentos de protestos estudantis, para converter-se em seguida numa figura do "movimento cidadão" dos anos 70, ativo na defesa do meio ambiente e do pacifismo.

Temido orador que começou sua carreira como ajudante de uma personalidade do movimento feminista, foi eleito deputado pela primeira vez em 1980 com o apoio de uma pequena formação de esquerda e reeleito nove vezes.

Deu o que falar em 1996, enquanto ministro da Saúde de um governo de coalizão, quando forçou sua administração a revelar um escândalo transfusão de sangue infectado com o vírus HIV.

Nesse mesmo ano participou na criação do Partido Democrata do Japão (PDJ, centro-esquerda), e contribuiu com sua ascensão durante 13 anos, opondo-se ao Partido Liberal Democrata (PLD, direita) no poder.

Em 2004, convertido em líder do PDJ, se viu obrigado a deixar a direção do partido depois de reconhecer que não pagou todas suas contribuições de aposentadoria. Como penitência, raspou o cabelo e realizou, vestido como um monge budista, uma peregrinação aos templos da ilha meridional de Shikoku.

Mais tarde foi alvo da imprensa sensacionalista que revelou que este respeitável marido e pai de dois meninos havia passado uma noite em um hotel na companhia de uma apresentadora de televisão.

Quando seu partido ganhou por fim as eleições legislativas em agosto de 2009, Kan foi nomeado vice-primeiro-ministro e encarregado também do gabinete de estratégia de Estado, um elemento-chave na estratégia do PDJ de controlar a poderosa burocracia japonesa.

Mas esta instância não conseguiu se impor e Kan a deixou em janeiro para assumir o cargo do ministério das Finanças, onde, com regularidade, se manifestou a favor da disciplina orçamentária, em um Japão endividado em 200% de seu Produto Interno Bruto (PIB).

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