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05/06/2010 - 14h52 / Atualizada 05/06/2010 - 14h55

Forças israelenses abordam navio mercante irlandês com destino a Gaza

ASHDOD, Israel, 5 Jun 2010 (AFP) -As forças israelenses abordadam sem violência e conduziram ao porto israelense de Ashdod (sul), este sábado, o navio mercante "Rachel Corrie", que tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza, cinco dias depois da sangrenta operação contra uma frota internacional de ajuda que deixou nove mortos.

O navio irlandês "Rachel Corrie" chegou no sábado à tarde sob escolta à entrada do porto israelense de Ashdod (sul), segundo um fotógrafo da AFP.

O navio, onde se lia a inscrição "Free Gaza" (Gaza Livre), chegou escoltado por duas lanchas pequenas israelenses, uma na popa e outra na proa, acrescentou a fonte, segundo a qual a embarcação se deslocava muito lentamente.

A Marinha abordou o navio pouco depois do meio-dia (06H00 de Brasília) e tomou o controle sem violência.

O exército israelense anunciou que suas tropas subiram no navio "com a total conformidade" de seus tripulantes e passageiros, sem que nenhuma das partes tenha recorrido à violência.

"Nossas forças deixaram o barco e tomaram o controle sem que os membros da tripulação, nem os passageiros presentes apresentassem resistência. Tudo ocorreu sem violência", disse à AFP a porta-voz militar Avital Leibovitz.

A abordagem teve lugar em águas internacionais, disse a porta-voz. A zona de exclusão marítima da Faixa de Gaza, decretada por Israel é de 20 milhas (37 km).

O "Rachel Corrie" leva a bordo 11 passageiros e 8 tripulantes, destacou o exército em um comunicado.

Os passageiros são cinco irlandeses, entre eles a Nobel da Paz, Mairead Maguire, e seis malásios, segundo os organizadores irlandeses.

"Todas essas pessoas serão interrogadas antes de serem expulsas nos prazos mais breves possíveis", disse à AFP a porta-voz do serviço de Imigração, Sabine Haddad.

A decisão de abordar o "Rachel Corrie", que levava mil toneladas de material humanitário segundo os organizadores, foi tomada depois de o navio se negar a obedecer quatro chamados para que mudasse de rumo e se dirigisse a Ashdod no lugar da Faixa de Gaza, submetida desde 2007 a um bloqueio por parte de Israel.

Israel advertiu por rádio ao navio que o abordaria se não mudasse de rumo.

O ministério irlandês das Relações Exteriores confirmou ter sido "informado pelas autoridades israelenses que o navio havia sido interceptado, que o exército israelense está a bordo e que o navio se dirige a Ashdod". Não houve "nem violência, nem feridos", acrescentou um porta-voz.

Fretado por uma organização irlandesa pró-palestina, o "Rachel Corrie" deveria fazer parte da frota internacional de ajuda humanitária com destino a Gaza abordada na segunda-feira por comandos israelenses em uma violenta operação na qual nove civis morreram.

"Os ativistas a bordo serão recebidos pelos serviços da imigração israelense e enviados de avião a seus países de origem o quanto antes", informou o ministério israelense das Relações Exteriores.

Enquanto isso, na cidade de Gaza, uma multidão começou a se reunir no porto à espera da chegada do barco, com a esperança de que ele pusesse fim a um bloqueio israelense que já dura quase quatro anos.

"Muitos barcos mais serão enviados a Gaza por organizações de solidariedade internacional nas próximas semanas em nome da Justiça e dos direitos humanos", afirmou Ahmed Yussef, vice-ministro de Relações Exteriores do gabinete do Hamas que governa o enclave.

Yussef, que também dirige o comitê governamental para a ruptura do bloqueio, qualificou a interceptação do "Rachel Corrie" de "violação maior às leis navais" e de "crime contra a comunidade internacional".

Na segunda-feira passada, antes do amanhecer, comandos da Marinha israelense lançaram um assalto em águas internacionais contra uma frota humanitária internacional formada por seis barcos que levava centenas de militantes pró-palestinos e toneladas de ajuda para a Faixa de Gaza.

No ataque contra o navio turco "Mavi Marmara", o maior dos navios, que levava 600 pessoas, as tropas israelenses mataram nove civis, oito de nacionalidade turca e um americano de origem turca.

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