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06/06/2010 - 16h43 / Atualizada 06/06/2010 - 16h56

Hillary inicia visita à América Latina em meio a polêmica com Brasil

WASHINGTON, 6 Jun 2010 (AFP) -A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, parte neste domingo para uma viagem pela América Latina, onde tenta reforçar os laços dos Estados Unidos com a região, em meio a uma polêmica com o Brasil por conta do programa nuclear iraniano.

A chefe da diplomacia americana fará escala primeiramente em Lima, para participar da quadragésima assembleia geral ordinária da Organização de Estados Americanos (OEA), que será realizada na capital peruana na presença de 33 chanceleres.

A secretária de Estado prevê vários encontros com chanceleres da região, paralelamente à reunião, e depois continuará sua viagem por Equador, Colômbia e Barbados.

"Esse governo quer demonstrar que deixará uma marca na política da América Latina", comentou o analista Christopher Sabatini, do Council of the Americas. Desde seu início, o governo Barack Obama expressou seu compromisso de melhorar as relações com a região.

Hillary já realizou uma primeira viagem latino-americana no fim de fevereiro, quando foi para Argentina, Uruguai, Brasil, Chile, Costa Rica e Guatemala.

A segunda viagem da ex-primeira-dama ocorrerá em meio às recentes tensões entre Estados Unidos e Brasil em torno do programa nuclear iraniano, um assunto que poderá ofuscar os debates da OEA.

As autoridades americanas recusaram-se a informar se Hillary irá se reunir em Lima com o chanceler Celso Amorim, em um momento em que os Estados Unidos impulsionam a aprovação de uma nova rodada de sanções contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU, às quais o Brasil se opõe.

Brasil e Turquia fecharam um acordo com o Irã que inclui o enriquecimento de urânio fora do território desse país. Pouco depois, Hillary assegurou que tinha "sérias divergências" com a diplomacia do Brasil em relação ao Irã.

A assembleia geral da OEA abordará outros temas polêmicos, como o controle de armas na região e a exigência argentina de soberania sobre as ilhas Malvinas.

Mas os Estados Unidos repetiram diversas vezes que as ilhas Malvinas são um assunto que deve ser tratado entre Argentina e Grã Bretanha, e Washington não terá nenhum papel, a menos que ambas as partes solicitem, segundo afirmou o secretário de Estado adjunto para América Latina, Arturo Valenzuela.

O presidente peruano, Alan García, anfitrião da quadragésima convocação da OEA sob o lema "Paz, Segurança e Cooperação", pretende impulsionar sua proposta de reduzir os gastos militares na região.

No entanto, alguns especialistas, como Michael Shifter, presidente do Diálogo Interamericano em Washington, disseram à AFP que não acreditam que haverá um acordo sobre esse assunto. Sobretudo porque ainda não se pode falar em uma corrida armamentista na América Latina, onde o gasto com armas é moderado em relação a outras regiões.

Na terça-feira, a chefe da diplomacia americana partirá rumo a Quito, onde se reunirá com o presidente Rafael Correa, com quem abordará temas comerciais, de segurança e migração, apesar de também tratarem de assuntos regionais, pelo fato de o Equador ocupar a presidência rotativa da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), segundo comentou o presidente equatoriano.

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