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07/06/2010 - 17h35 / Atualizada 07/06/2010 - 18h01

Passo crucial para descobrir filiação de herdeiros do Clarín

BUENOS AIRES, 7 Jun 2010 (AFP) -A ação judicial para determinar se a dona do poderoso grupo de imprensa argentino Clarín adotou dois filhos de desaparecidos durante a ditadura dá nesta segunda-feira um passo crucial com o início de testes genéticos, em meio à disputa entre o grupo e o Governo.

O padrão genético de Marcela e Felipe, os jovens adotados por Ernestina de Noble, será examinado no Banco Nacional de Dados Genéticos, que abriga o maior arquivo de DNA de familiares de desaparecidos, como foi pedido pelas Avós da Praça de Maio, entidade querelante e fundadora do Banco em 1977.

A entidade humanitária considera que os jovens, adotados em 1976 por Noble, são, na realidade, filhos de desaparecidos nascidos durante o cativeiro de suas mães no regime militar (1976-83).

As Avós da Praça de Maio restituíram a identidade de uma centena de filhos de opositores presos durante a ditadura, sobre um total de 500 casos estimados.

O início dos testes, cujos resultados podem demorar vários dias, representa um passo crucial no processo de quase uma década, marcado por uma batalha entre o grupo Clarín e o governo de Cristina Kirchner, que em várias ocasiões pediu rapidez da justiça.

Enquanto o Clarín aprofundou suas críticas ao governo, o Executivo promoveu uma lei de Meios Audiovisuais que ataca o coração do grupo, ao limitar a propriedade dos meios de comunicação e tirar de suas mãos a transmissão de futebol, agora a cargo do Estado.

No fim de maio, a justiça vasculhou a casa dos jovens Noble para o recolhimento de amostras de DNA, após ambos negarem-se a fazer exames de sangue para determinar sua verdadeira filiação.

Uma lei, aprovada pelo Congresso argentino em novembro passado, permite que, ante uma suspeita de que alguém possa ser filho de desaparecido, cabe à justiça exigir amostras de DNA para comprovar o suposto fato, seja voluntária ou compulsóriamente, ainda que "do modo menos lesivo e sem afetar o pudor".

A líder das "Avós", Estela de Carlotto, atribuiu o longo processo da ação à "certa conivência (da justiça) com as pessoas de poder econômico ou midiático".

Se for comprovado que os jovens são filhos de desaparecidos, a proprietária do maior conglomerado de imprensa da Argentina deverá dar explicações ante a justiça sobre as circunstâncias das adoções, que já haviam sido questionadas em 2002.

Na ocasião, um juiz federal chegou inclusive a ordenar a detenção de Noble, mas ela foi liberada por falta de mérito à espera do resultado dos testes genéticos, que ocorrem apenas agora, oito anos mais tarde.

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