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15/06/2010 - 13h47 / Atualizada 15/06/2010 - 13h57

Celso Amorim reclama mais voz para os países emergentes

PARIS, 15 Jun 2010 (AFP) -O chanceler brasileiro Celso Amorim afirmou nesta terça-feira que já chegou a hora de se ouvir os países emergentes em questões mais graves, como é o caso do programa nuclear iraniano, depois de as potências terem ignorado uma iniciativa promovida por Brasil e Turquia para aplacar as tensões.

"É hora de os países emergentes - Turquia, Brasil, assim como a Índia, África do Sul, Egito e Indonésia - serem ouvidos nas questões de paz e de guerra", declara o chanceler em uma entrevista ao jornal francês Le Figaro.

"Ouvir esses países abrirá as portas a um mundo melhor", acrescenta Amorim, que esta noite participará, em Paris, da terceira edição dos "Jantares do Atlântico", um fórum organizado por Le Figaro e International Herald Tribune e dedicado, nessa ocasião, ao Brasil.

Amorim observa que nas questões de comércio, finanças (com o G20), mudança climática e, inclusive, governança mundial, começa-se a abrir as portas para os emergentes e reconhece-se que "nenhum resultado tangível será obtido sem eles".

"Mas, de maneira algo paradoxal, as questões vinculadas à paz e à segurança internacionais (...) continuam sendo a prerrogativa de um pequeno número de países", assinala.

Amorim aludiu ao acordo assinado em maio pelo Irã com o Brasil e a Turquia, através do qual a República Islâmica aceitou a proposta de trocar seu combustível nuclear com as grandes potências em território turco.

Mas as potências receberam com ceticismo a iniciativa, e promoveram novas sanções contra o Irã, aprovadas neste mês pelo Conselho de Segurança.

"O fato de que o Brasil e a Turquia tenham se aventurado - e o que é importante, com êxito - numa área tipicamente gerida pelo P5 (o grupo dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança encarregados das negociações sobre o caso nuclear iraniano) transtornou o statu quo", assinalou.

No entender de Amorim, ter votado sanções "confirma a percepção de inúmeros analistas que denunciam que os centros tradicionais de poder não compartilharão gratuitamente de seu estatuto privilegiado".

Falando na conferência de desarmamento da ONU também nesta terça, em Genebra, Amorim expressou sua hostilidade às recentes sanções da ONU contra o Irã, ao reiterar que é muito cedo para saber qual será o efeito.

Na manhã desta terça, o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad, citado pela televisão estatal, afirmou que a propoposta iraniana, promovida pelo Brasil e pela Turquia, de trocar combustível nuclear iraniano com as grandes potências em território turco, continua em vigor.

"A declaração de Teerã ainda é válida", afirmou Ahmadinejad ao receber o presidente do Parlamento turco, Mehmet Ali Shahin. Essa proposta constitui "um novo modelo de gestão dos assuntos mundiais, baseado na justiça e na lógica", acrescentou.

O presidente Luís Inácio Lula da Silva impulsionou desde sua chegada ao poder, em 2003, uma ativa diplomacia de aproximação dos emergentes e reclama uma vaga permanente para o Brasil no Conselho de Segurança, dentro de uma reforma das Nações Unidas.

O fundador dos "Jantares do Atlântico", Felix Marquart, em outro artigo publicado pelo Le Figaro, assegura que o diálogo entre a Europa e os Estados Unidos "não definirá somente este século, como aconteceu com o anterior", mas essas duas zonas "deverão congratular-se" pelas novas ambições do Brasil, num mundo no qual a região Ásia Pacífico pesa cada vez mais.

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