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15/06/2010 - 23h07 / Atualizada 15/06/2010 - 23h25

Chávez nega motivação política em intervenção em banco

Caracas, 15 Jun 2010 (AFP) -O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, defendeu nesta terça-feira a intervenção no Banco Federal, negando qualquer "perseguição" política, como denunciou o titular da instituição financeira, Nelson Mezerhane.

"Ele (Mezerhane) anda dizendo, fora do país, que persigo seu banco com a intervenção. Não tenho nada a ver com isto, a culpa é dele por administrar de maneira irresponsável um banco, que está em situação de falência", disse Chávez em um ato transmitido pela TV estatal.

O presidente cumprimentou as autoridades financeiras pela intervenção "a tempo" no Banco Federal, em uma operação "para proteger os poupadores e todo o sistema bancário venezuelano".

Mezerhane é um dos principais acionistas do canal Globovision, que mantém uma linha editorial muito crítica em relação ao governo.

Segundo Egdar Hernández, diretor da Superintendência de Bancos (Sudeban), os principais motivos desta intervenção são "a pouca disposição do Federal de sanear com recursos próprios os problemas de liquidez" e o desejo do governo de "salvaguardar as contas dos clientes do banco".

O Banco Federal, instituição financeira privada de tamanho médio, é o oitavo da Venezuela em volume de depósitos. Ao final de 2009, possuía 152 agências em todo o país e 2.982 empregados, além de lista de clientes próxima de 300.000 pessoas.

A intervenção vai durar 60 dias e, depois desse período, o governo decidirá pela reabilitação do banco ou por sua liquidação.

Na véspera, Mezerhane se disse "surpreendido" com a decisão do governo, atribuindo-a a motivações políticas, vinculadas a seu posto no canal de televisão, e não puramente econômicas.

"Aqui está a fatura de onde deveríamos chegar e chegamos. Ontem, o presidente havia dito: 'Guerra de assalto aos bancos' e hoje, vocês podem comprovar. Missão cumprida. Dito e feito", denunciou.

"Isto é arbitrariedade, grosseria e falta de respeito. Quem não estiver de acordo com as loucuras (do governo) terá que pagar este tipo de preço", acrescentou, assegurando que há meses vem se sentindo "asfixiado" pelo Executivo.

Desde novembro de 2009, mais de dez bancos, todos de pequeno e médio porte, sofreram intervenções; alguns deles sendo fechados pelo governo Chávez, sob a justificativa de "garantir o saneamento do sistema bancário e financeiro nacional" e evitar abusos.

Na sexta-feira passada, um tribunal de Caracas determinou a prisão do presidente da Globovision, Guillermo Zuloaga, devido ao processo iniciado contra o empresário em 2009 e envolvendo 24 veículos mantidos de "forma irregular" em sua residência.

O presidente da Globovision está foragido desde então.

Chávez havia advertido para a situação de Zuloaga: "ele disse que eu mandei matar pessoas e segue livre. Isto só ocorre neste país (...) mas não pode ser assim (...). Não vou discutir com este burguês, mas há um sistema que deve colocar as coisas no lugar".

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