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16/06/2010 - 12h32 / Atualizada 16/06/2010 - 13h27

Irã construirá um novo reator de pesquisa nuclear

TEERÃ, 16 Jun 2010 (AFP) -O Irã construirá em breve um novo reator de pesquisa nuclear médica mais potente do que o que atualmente existe em Teerã, anunciou nesta quarta-feira o chefe do programa nuclear iraniano, Ali Akbar Salehi.

"Estamos preparando a construção de um reator mais potente do que o de Teerã para produzir radioisótopos e este reator começará a funcionar em breve", declarou Salehi, citado pelo site da televisão estatal.

O chefe da Organização da Energia Atômica iraniano não especificou em que estado será implantado o projeto, nem informou a potência do novo reator.

O Irã dispõe atualmente na capital um reator de pesquisa nuclear de 5 megavatts construídos antes da revolução islâmica de 1979.

A República Islâmica iniciou em fevereiro a produção de urânio enriquecido a 20% para, segundo a versão oficial, fabricar combustível para este reator de pesquisas. A decisão desencadeou uma nova crise na comunidade internacional, que suspeita que Teerã estaria tentando construir uma arma atômica, apesar de o governo negar inúmeras vezes.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou na semana passada, com o voto contra do Brasil e da Turquia e a abstenção do Líbano, uma nova resolução acompanhada de sanções que pede ao Irã, entre outras coisas, a suspensão do enriquecimento de urânio.

Teerã rejeitou esta resolução, assim como as anteriores, e não cogita parar de produzir urânio enriquecido a 20%.

Em um acordo firmado no dia 17 de maio com o Brasil e a Turquia, o Irã aceitou trocar em território turco 1.200 quilos de urânio pouco enriquecido (a 3,5%) por 120 quilos de combustível enriquecido a 20% para alimentar seu reator de pesquisas médicas da capital iraniana.

Esta proposta não foi muito diferente da que foi sugerida em setembro pelo chamado grupo de Viena, composto por Estados Unidos, Rússia e França, para criar um "clima de confiança" ante o programa nuclear iraniano.

A oferta do grupo de Viena foi recusada pelo governo do Irã. Após a proposta do trio Irã-Brasil-Turquia deste ano, as grandes potências demonstraram frieza com o país islâmico, argumentando que a oferta havia chegado tarde demais e que ele queria apenas ganhar tempo.

Os Estados Unidos recordaram, no entanto, na terça-feira, que a "via diplomática continuava possível" paralelamente às sanções, se o Irã tomar "medidas concretas para responder as suas obrigações internacionais".

Ali Akbar Salehi contra-argumentou nesta quarta-feira que o Irã também elaborou uma "dupla estratégia" para responder a das grandes potências. "Esta dupla estratégia se baseia por um lado na continuidade de um diálogo honesto" com a comunidade internacional e, "por outro, na continuidade do nosso desenvolvimento nuclear, que é um meio de resistir às pressões dos nossos inimigos", explicou.

O chefe do programa nuclear destacou ainda que Teerã planeja construir "vários reatores" de pesquisa disseminados em diferentes lugares do seu território para produzir e exportar isótopos para fins médicos.

Salehi afirmou no sábado que o Irã também tem a intenção de construir, em 2011, uma nova fábrica de enriquecimento de urânio, violando as resoluções da ONU.

Teerã sempre defendeu seu programa nuclear como um "direito legítimo" para ter acesso às tecnologias modernas e acusou as grandes potências que dominam o Conselho de Segurança de querer "preservar seu monopólio".

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