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16/06/2010 - 20h32 / Atualizada 16/06/2010 - 20h42

Militares argentinos vão a julgamento por crimes da ditadura

BUENOS AIRES, 16 Jun 2010 (AFP) -Vinte e um militares argentinos irão a julgamento por crimes de lesa humanidade contra 528 vítimas na prisão da ESMA durante a ditadura (1976/83), afirmaram fontes judiciais nesta quarta-feira.

As autoridades fixarão agora uma data para o julgamento.

Os 21 ex-membros da Marinha foram acusados pelo juiz federal Sergio Torres, responsável pelo chamado 'megaprocesso' da ESMA (Escola de Mecânica da Armada).

Uma primeira parte destes processos já está na etapa de julgamento nos tribunais de Buenos Aires.

O juiz informa que cada uma das pessoas pelas quais os militares deverão responder em juízo foi privada "ilegitimamente de sua liberdade, conduzida à ESMA, onde permaneceu clandestinamente detida sob condições sub-humanas de vida" e grande parte delas permanece desaparecida.

Entre as centenas de casos existentes figura o da família Tarnopolsky, quase desaparecida por completo, já que sobrou apenas um sobrevivente, que nunca foi detido e pôde se exilar.

O tribunal federal deverá dar uma data para o novo processo, que será realizado quando terminar o julgamento contra o ex-capitão Alfredo Astiz e outros militares da ESMA acusados de sequestro e tortura das freiras francesas Alice Domon (desaparecida) e Léonie Duquet (assassinada), e do escritor e jornalista Rodolfo Walsh, entre outras 85 vítimas.

O processo que investiga os crimes na ESMA, por onde passaram cerca de 5 mil opositores, foi reaberto em 2003, após a anulação das leis de anistia.

Na Argentina, desenvolvem-se atualmente uma dezena de julgamentos por violações dos direitos humanos na última ditadura, que deixou cerca de 30 mil desaparecidos, segundo organizações humanitárias.

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