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21/06/2010 - 15h37 / Atualizada 21/06/2010 - 15h45

Novela ao redor da herdeira da L'Oréal vira assunto político

PARIS, 21 Jun 2010 (AFP) -A novela em torno da mulher mais rica da França, Liliane Bettencourt, a herdeira da L'Oreal, adquire tons políticos, ameaçando envolver o ministro do Trabalho Eric Woerth, do gabinete de Nicolas Sarkozy, acusado de estar a par de uma possível fraude fiscal por parte de Liliane, após virem à tona escutas de conversas da multimilionária.

Gravações clandestinas de reuniões de Bettencourt, de 87 anos, com seus assessores entre maio de 2009 e maio de 2010, reveladas nesta semana no site Médiapart, sugerem que ela realizava operações financeiras para fugir dos impostos e que possui contas bancárias não declaradas na Suíça e uma ilha nas Seychelles.

E dão a entender que é muito difícil que o ministro e sua esposa tenham ignorado tais gravações, porque Florence Woerth era responsável por uma parte da gestão da fortuna Bettencourt desde 2007, sob a autoridade do administrador Patrice de Maistre - amigo do ministro - no seio da companhia financeira Clymène.

O ministro do Trabalho, do partido governante UMP, anunciou, por sua vez, que sua esposa Florence processará o deputado socialista Arnaud Montebourg por tê-los acusado de estarem cientes das suspeitas de fraude na gestão da fortuna da mulher mais rica da França.

"Temos um ministro do Orçamento (cadeira ocupada por Woerth de 2007 a março de 2010), ao mesmo tempo tesoureiro do UMP, cuja mulher trabalha na organização da fraude fiscal de Bettencourt", declarou no sábado Montebourg, membro da direção do Partido Socialista (PS), ao site lexpress.fr.

"Demais, é demais!", reagiu no domingo Woerth na emissora Europe 1. "Nos tomam como alvo, tentam nos desestabilizar pessoalmente", acrescentou o ministro, que acaba de anunciar uma reforma das aposentadorias que suscita uma forte oposição no país.

"Não conheço as finanças da senhora Bettencourt, não tenho nenhuma informação sobre nenhuma evasão fiscal e não dei nenhuma instrução" a respeito, defendeu-se em declarações ao Journal du Dimanche, garantindo que sua esposa é "uma funcionária e não uma dirigente" da empresa que administra o patrimônio da multimilionária, e que "há mais de um ano quer deixar".

A revelação destas gravações realizadas por um dos mordomos de Liliane Bettencourt provocou grande alvoroço pouco antes do dia 1 de julho, quando começa o julgamento do fotógrafo François-Marie Banier, acusado pela filha de Bettencourt, Françoise, de ter-se aproveitado do estado de sua mãe, que não está em posse de todas as suas faculdades, para conseguir quase 1 bilhão de euros em forma de doação.

Segundo as gravações clandestinas, a multimilionária francesa havia colocado cerca de 80 milhões de euros em contas bancárias na Suíça não declaradas à Receita.

Em um dos trechos publicados pelo Médiapart, que corresponderia a uma conversa gravada no dia 27 de outubro de 2009, Patrice de Maistre declara: "Temos que arrumar as coisas com suas contas na Suíça".

Segundo este diálogo gravado pelo mordomo de Bettencourt, uma conta bancária na Suíça "é de 12 ou 13 milhões", afirma Maistre.

"Fui ver esta conta em Vevey, onde há cerca de 65 milhões de euros", anuncia o administrador à multimilionária em outra conversa cerca de três semanas depois, no dia 19 de novembro, de acordo com o Médiapart.

Segundo o site, a revista Le Point e o jornal Libération, Liliane Bettencourt também seria proprietária de uma ilha nas Seychelles, tampouco declarada à Receita francesa.

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