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22/06/2010 - 15h28 / Atualizada 22/06/2010 - 15h48

Vaticano enfrenta novo escândalo

CIDADE DO VATICANO, 22 Jun 2010 (AFP) -O Vaticano enfrenta um novo escândalo, desta vez sobre suspeitas de corrupção na gestão do valioso patrimônio da Santa Sé e tudo parece indicar que vai optar novamente pela "tolerância zero".

O Ministério Público investiga a venda, em 2005, de um palácio do Vaticano de 960 metros quadrados na região central da Via dei Prefetti ao ex-ministro dos Transportes de Silvio Berlusconi, Pietro Lunardi, a um preço inferior ao valor de mercado (4,1 milhões de euros, cerca de 5 milhões de dólares).

Os agentes suspeitam de que o cardeal italiano e arcebispo de Nápoles, Crescenzio Sepe recebeu por esse "favor" a soma de 2,5 milhões de euros para financiar um projeto de restauração dos museus vaticanos - que nunca saiu do papel.

Crescenzio Sepe, está sendo investigado pela má gestão do enorme patrimônio imobiliário da Santa Sé, com um orçamento autonomo de cerca de 9 bilhões de euros (por volta de 11 bilhões de dólares).

Sepe, que ocupou de 2001 a 2006 o cargo de prefeito da poderosa congregação da Evangelização dos Povos, mais conhecida como Propaganda da Fé, chegou a ser apelidado de "empresário de Deus".

A congregação é proprietária de cerca de 2 mil apartamentos em Roma que, segundo dados oficiais de 2009, renderam ao Vaticano 56 milhões de euros em aluguéis.

"Sempre atuei com grande transparência", defendeu-se na segunda-feira o cardeal, ao ser questionado sobre suas relações com uma gigantesca rede de favores milionários em troca de contratos para obras públicas na Itália.

Segundo os especialistas, a reação oficial do Vaticano limita-se a manifestar "estima e solidariedade" a Sepe e deixa a entender que, como nos casos de religiosos pedófilos, as autoridades eclesiásticas vão autorizar que a justiça comum siga seu curso e realize as investigações.

Uma reação que contrasta com a dos anos 80, quando estourou o escândalo sobre a quebra do Banco Ambrosiano que teria sido causada pelo cardeal americano Paul Marcinkus, presidente, na época, do Instituto para as Obras Religiosas (IOR), conhecido como Banco do Vaticano. A Igreja, na ocasião, protegeu o cardeal que não chegou a ser condenado.

O cardeal, que goza de imunidade diplomática, segundo a Concordata entre a Itália e o Vaticano, anunciou no domingo que colaborará com a justiça italiana durante os interrogatórios das próximas semanas pelos procuradores de Perugia.

O prelado, que é bastante popular em sua cidade, está sendo acusado de "corrupção contínua e agravada" junto do ex-ministro dos Transportes de Silvio Berlusconi, de 2001 a 2006, Pietro Lunardi.

"Depois dos escândalos de pedofilia, a Igreja decidiu tomar atitudes claras e transparentes em todos os aspectos", destacou o vaticanista Bruno Bartoloni, ao ressaltar a linha de "tolerância zero" ante aos abusos cometidos no mundo.

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