UOL Notícias Notícias
 
23/06/2010 - 14h43 / Atualizada 23/06/2010 - 14h44

Dez anos do genoma humano: muitos avanços biológicos, poucos médicos

WASHINGTON, 23 Jun 2010 (AFP) -O décimo aniversário da decodificação do genoma humano está marcado por importantes avanços na compreensão dos mecanismos fundamentais da vida, embora suas aplicações médicas até o momento tenham sido modestas, afirmam os organizadores da iniciativa.

A descoberta e a identificação de muitas variações genéticas também permitiram aos geneticistas lançar nova luz sobre as origens e a evolução da humanidade após sua emigração da África, há 50 mil anos, para conquistar o mundo.

No anúncio da conclusão da primeira decodificação do genoma humano, em 26 de junho de 2000, após onze anos de esforços e investimento de US$ 3 bilhões, o então presidente Bill Clinton disse que "com este novo saber, a humanidade está a um passo de adquirir um imenso poder de cura".

Este avanço "vai revolucionar o diagnóstico, a prevenção e o tratamento da maioria, senão de todas as enfermidades", previu.

Dez anos depois, "é certo que o Projeto Genoma Humano ainda não teve efeito direto nos cuidados médicos da maioria dos indivíduos", reconheceu recentemente Francis Collins, diretor dos Institutos Nacionais da Saúde (NIH) e responsável por este consórcio (International Human Genome Sequencing Consortiumn).

Um projeto privado paralelo, o Celera Genomics, lançado em 1998 e dirigido por Craig Venter, conseguiu decodificar o genoma humano ao mesmo tempo que os pesquisadores do setor público.

"As aplicações na medicina clínica até agora são modestas, embora tenham sido feitas algumas descobertas importantes", especialmente no que diz respeito ao câncer, prosseguiu Francis Collins em editorial publicado no fim de março na revista científica britânica Nature.

Collins citou o desenvolvimento de novos tratamentos anticancerígenos orientados a algumas funções vitais dos tumores, testes genéticos capazes de determinar se as mulheres afetadas por câncer de mama precisam de quimioterapia, e exames que permitem prever a resposta de pacientes a mais de uma dezena de medicamentos segundo seu perfil genético. Ao contrário, uma experiência para prever o risco de doenças cardíacas não foi conclusiva.

Recentemente, a FDA, agência de controle de alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, autorizou o Prolia, aplicação genômica da empresa biotecnológica Amgen para tratar a osteoporose.

Hoje, cerca de 10% das marcas de medicamentos - objeto de uma solicitação de autorização de comercialização na FDA - contêm informações fármaco-genômicas, um forte aumento em comparação com os anos 1990, destacou Margarett Hamburg em um editorial publicado em meados de junho no New England Journal of Medicine.

"Mas isto não marca o limite do potencial da medicina personalizada", acrescentou. "À medida que avança o campo de pesquisa, esperamos ter experiências mais eficazes baseadas em uma maior compreensão dos mecanismos genéticos da doença", explicou Hamburg.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    10h20

    -0,41
    3,270
    Outras moedas
  • Bovespa

    10h25

    0,55
    63.574,15
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host